05/08/2017

VILA PRAIA DE ÂNCORA

“VIAGENS À TERRA NOVA” 2017 CENTRA-SE NA SIMBOLOGIA DAS MARCAS

Apresentação da obra e inauguração de mostra, este sábado, às 17h00, na Praça da República, em Vila Praia de Âncora

Capa do livro

Infogauda / Vila Praia de Âncora

 "Marcas" é o tema da edição 2017 de Viagens à Terra Nova, um evento lançado há três anos, com um duplo objetivo: homenagear os mais de 700 pescadores do concelho que andaram na pesca do bacalhau nos mares gelados da Terra Nova e preservar e enriquecer, para memória presente e futura, um espólio que se encontrava disperso e em risco de desaparecer. Neste sábado, dia 5 de agosto, será lançado um novo livro e inaugurada uma exposição de fotografias. "Viagens à Terra Nova - Marcas" é o tema, e a sessão terá lugar pelas 17h00, na Praça da República, em Vila Praia de Âncora. A organização é da Câmara Municipal de Caminha.  

 Consciente da importância deste pedaço da história do concelho, a Câmara Municipal iniciou este trabalho em 2014. "Viagens à Terra Nova - Memórias da Pesca do Bacalhau", como foi inicialmente designado, é um projeto que visa a valorização da atividade piscatória ao nível do legado histórico da pesca do bacalhau nos mares da Terra Nova. A iniciativa começou com a vinda a Caminha de Jean-Pierre Andrieux, autor do livro 'The White Fleet - A History of Portuguese Handliners', que retrata a pesca artesanal de bacalhau por portugueses nas águas da Terra Nova.  

 Sendo certo que a relação dos portugueses com a Terra Nova é secular e carrega consigo muitas memórias de aventuras da faina, a Câmara Municipal de Caminha quis prestar uma homenagem aos pescadores da terra, pela bravura demonstrada e pelas lutas travadas nos bancos gelados, mas foi muito mais longe.  

 Além das inúmeras iniciativas promovidas, que imortalizaram esta faina, no ano passado foi lançado o livro "Viagens à Terra Nova. Memórias de um Tempo", da autoria de Aurora Botão Rego, investigadora e funcionária da Câmara. A edição municipal foi uma homenagem aos 740 pescadores, profissionais da Faina Maior.    

Novas histórias, novas pistas, um novo livro    
 Durante a investigação surgiram novas informações e novas pistas e nasceu também um novo projeto, que a Câmara decidiu levar por diante "Na sequência do livro 'Viagens à Terra Nova. Memórias de um Tempo' decidimos agora aprofundar algumas práticas e tradições associadas que, devido ao seu caráter iminentemente simbólico, merecem uma análise mais detalhada", refere a autora, que realizou este projeto com os fotógrafos António Manuel Garrido Barreiros e Jorge Simão Meira, os autores de mais de meia centena de fotografias que constituem a exposição, assim como da esmagadora maioria das fotos que constam do novo livro.     

Meia centena de "protagonistas"    
 Aurora Rego explica que a presente publicação - "Viagens à Terra Nova II (Marcas)" -  é centrada nas tatuagens dos pescadores e nos medalhões usados por esposas e viúvas, "imagens magistralmente captadas pelo olhar sensível de António Manuel Garrido Barreiros e de Jorge Simão Meira". 

 "À superfície, os objetos de estudo pareciam de fácil compreensão. Porém, deparámo-nos com um universo surpreendentemente complexo de contextos, simbologias e emoções a que não poderíamos ficar indiferentes. Este trabalho é dedicado às Marcas deixadas pelas saudades, pelas ausências e fugazes permanências, pelos encontros e desencontros das vidas ligadas ao bacalhau. É dedicado ao amor que unia um homem e uma mulher separados pela imensidão do oceano, ao medo que se vivia em cada margem desta fronteira líquida, espessa e prenhe, seja de inclemências seja de novas gentes, paisagens e auroras boreais", conclui Aurora Rego.  

 O livro, uma edição municipal, tem mais de duas centenas de páginas, com fotos a cores, atuais, captadas expressamente para este projeto. Os protagonistas são 52 pessoas, entre pescadores e mulheres (esposas e viúvas).  

 A exposição poderá ser visitada até ao dia 10 de setembro.

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