25 de xul. de 2017

PATRIMONIO

Bateria da  Madalena, As  Eiras  (O  Rosal) 



ENCONTROS  POLIORCETICOS  

 No Anexo nº 1 do Catálogo de Edifícios e Elementos a conservar no município de O  Rosal, págs. 128 a 136, figura com a enumeração GA 36048003 o Castro de Eiras ou da Madalena, com Aprovação Inicial dentro do PXOU e assinado o dia 26 de Maio de 1997. Este enclave da Idade do Ferro, sediado na paróquia de São Bartolomeu das Eiras é o precedente de um outro posicionamento moderno ligado às guerras com Portugal e teve relevância nos primeiros anos da casa dos quarenta do século XVII. Com uma altitude de 85 metros (outros afirmam os seus 88 m.), dominava a envolvente ribeirinha, erguendo-se como sentinela baterística a controlar a passagem de barcos portugueses entre Monção e Caminha. A tal ponto isto é verdade que, fartos os lusos dessa realidade, foi vitimada num ataque destes e perdeu a única peça de artilharia de que dispunha. O relato de Luiz de Menezes na História do Portugal Restaurado (1751) e outros textos referem essa efeméride, acontecida en 1644. 


 Com coordenadas de N 41º 55’ 52’’ e W 8º 46’ 55’’, possuia uma forma circular no coroamento, com 21,50 m. de diâmetro N-S e 16 m. de diâmetro na orientação E-O, sendo afectados os lados N e NE  pelos novos acessos à Capela da Madalena. Esta estrutura basilar aproveitou-se como parapeito e boca de fogo nos primeiros anos da Guerra de Aclamação portuguesa. Os grandes traços deste enclave revelam algum trabalho propositado e artificial das defesas. A 640 metros da margem do rio Minho,  perfilar-se-á  um perímetro mínimo de 175-200 metros que, tracejando uma área elipsóide de eixos maior e menor, determinará uns 600 m2 quadrados de superfície. 


 Seria bom solicitar da Câmara de O  Rosal e da Deputação pontevedrense algum tipo de iniciativa, no sentido de dotar de sinalética ao sítio e tirá-lo do esquecimento. Não ficava de mais realizar uma prospecção arqueológica, dado poder haver empilhamento de pedras agochado por terras prensadas. Infelizmente, os “timings” oficiais estão nas antípodas dos pedidos provenientes da cidadania, mas disponibilizar-se-ão caso haja verdadeiro espírito colaborativo. Também, referir uma poliorcética baseada quer na observação, deteção e ataque, quer no posicionamento elevado sobranceiro ao rio e a uma ribeira muito exposta aos ataques do inimigo. As alturas iguais ou superiores são ultrapassadas por este enclave, permitindo-lhe visualizar a Ilha dos Amores e a Ilha da Boega (como esconderijos invisíveis que erão), bem como controlar os casarios de Vacariça, Aldeia e a Mata. A lógica da fumaça, de dia, e da fogaça, à noite impunham-se nestes tortuosos anos.

R.P.I.

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