27 de xuño de 2017

CAMINHA

REVITALIZAÇÃO DA FRENTE RIBEIRINHA – CAIS DOS PESCADORES ARRANCOU ONTEM EM CLIMA DE EMOÇÃO

Sonho de mais de 40 anos concretizado em obra, pondo fim ao abandono da classe piscatória de Caminha

A Polis Litoral Norte - Sociedade para a Requalificação e Valorização do Litoral Norte, SA existe há vários anos, mas só com este Executivo se iniciaram os investimentos no concelho
Fotos: C.M.C.

Infogauda / Caminha

 O sonho tinha mais de quatro décadas e muitos já não acreditavam que os pescadores de Caminha pudessem um dia ter as condições adequadas e justas para o seu trabalho. Mas esse dia chegou, coroando um trabalho iniciado neste mandato - ontem mesmo arrancou a obra de modernização do Cais dos Pescadores de Caminha, um investimento de cerca de 900 mil euros, que contempla a requalificação e revitalização da Frente Ribeirinha da sede do concelho. A assinatura do auto de consignação fez-se no velho cais e contou com a participação da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.   

 A emoção marcou as intervenções, todas informais, mas foi Augusto Porto, o presidente da Associação de Profissionais de Pesca do Rio Minho e Mar que transmitiu o sentimento vivido hoje pela classe piscatória. Para o responsável, que preside à associação há dois anos, os políticos começaram enfim a olhar para os pescadores e para a pesca de forma diferente, depois de décadas de abandono. “Neste momento está-se a preparar o futuro e oi futuro vai ser brilhante”.   

Miguel Alves sublinhou a importância da intervenção no Cais dos Pescadores e na marginal, garantindo que o tempo em que os pescadores foram esquecidos, o tempo da conversa, dos desenhos e do powerpoint acabou


 Augusto Porto lembrou o trabalho realizado, nestes dois anos, com a Câmara Municipal, a Junta de Freguesia de Caminha e Vilarelho, a Capitania e a Polis, de diálogo, o que permitiu elaborar um projeto que vai ao encontro do que são as necessidades da comunidade piscatória e que valoriza o seu conhecimento. Agradeceu à Junta de Freguesia “que nos abriu as suas portas e fez dela a nossa casa” e deixou uma “palavra de muito apreço” ao presidente da Câmara, sublinhando que Miguel Alves foi “quem nos deu ouvidos, foi o fio condutor” que estabeleceu os contactos com quem manda: “os políticos passaram a olhar para nós como amigos”.   

 O responsável, que nasceu e cresceu numa família de pescadores, lembrou também os homens e as famílias que sonharam com este Cais e que já faleceram, não chegando a ver o seu sonho realizado, porque isso só agora irá acontecer.  

 “Hoje é o dia mais feliz do nosso mandato” 

 Miguel Gonçalves, o presidente da Junta de Freguesia, considerou mesmo o dia de hoje como o mais importante de todo o mandato, por ser o dia em que um sonho, que para muitos já era uma utopia, passou a ser uma realidade. O autarca frisou ainda que é um dia em que se faz justiça a uma classe que é muito importante para a economia do concelho.   

 “Também é um ato de inteligência, porque a pesca é uma marca nossa, a marca que nos diferencia e que pode e deve ser a charneira para outras atividades”, referiu ainda Miguel Gonçalves, referindo-se ao papel transversal da pesca enquanto dinamizadora de outras atividades e agradecendo a Augusto Porto o seu envolvimento ao longo dos últimos dois anos, com “determinação e perseverança”.   

 “Hoje é o dia mais feliz do nosso mandato. Esta obra tem presente, vai ter futuro e vai ficar na nossa memória e nos nossos corações”, concluiu.  

Polis: de zero obras passamos a 10  

 Miguel Alves, intervindo no início da cerimónia, sublinhou a importância da intervenção no Cais dos Pescadores e na marginal, garantindo que o tempo em que os pescadores foram esquecidos, o tempo da conversa, dos desenhos e do powerpoint acabou.   

 O presidente lembrou que, quando chegou à Câmara, não havia uma única obra da Polis em Caminha, ao contrário do que acontecia nos dois municípios parceiros, Viana do Castelo e Esposende, cujos presidentes das Câmara também marcaram presença. “Embora a Polis existisse desde 2008, até 2013 nada foi feito no nosso concelho”, um vazio que foi possível inverter, recuperando-se o tempo perdido e pondo fim ao abandono dos pescadores.  

A assinatura do auto de consignação fez-se no velho cais e contou com a participação da Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos.   

 A Polis Litoral Norte - Sociedade para a Requalificação e Valorização do Litoral Norte, SA existe há vários anos, mas só com este Executivo se iniciaram os investimentos no concelho. “Quando cheguei à Câmara, a Polis já existia há cinco anos, tinha investimentos em Viana do Castelo e Esposende, mas não tinha qualquer investimento em Caminha. Até 2013 não se fez um único investimento no âmbito da Polis Litoral Norte, não se fez uma única obra no concelho de Caminha. Mas desde 2013 até agora foram já feitas 5 obras e investidos 1 milhão e 100 mil euros no território de Caminha. E até final de 2017 prevemos ter mais 5 obras concluídas e investidos 2,5 milhões de euros. Passamos dum tempo em 2013 em que tínhamos zeros obras, zero cêntimos investidos no concelho e Caminha, para termos 10 obras e 4 milhões de euros investidos no concelho de Caminha”, afirmou Miguel Alves.  

 Classe piscatória finalmente ouvida  

 O presidente anunciou também que, dentro de cerca de um mês e meio terá início mais uma obra fundamental, relacionada com o enchimento do cordão dunar e que vai permitir “o desassoreamento desta zona”.   

 Miguel Alves recordou, para além desta obra, o trabalho desenvolvido por este executivo em prol da classe piscatória: “os pescadores estiveram esquecidos e abandonados durante demasiado tempo. Durante décadas não se fez nada, mesmo nada, pelos pescadores de Caminha. Nós recuperamos o cais de atracação da Foz do Minho; nós pusemos um ponto de água nos Estaleiros do Quintas como era pedido há anos; nós colocamos escadas de acesso às embarcações (os pescadores antes tinham que escorregar pela marginal e foram muitas as quedas por causa disso); nós recuperámos já a rampa existente no cais da vila”, elencou.   

 O presidente deixou ainda palavras de agradecimento e apreço aos vários intervenientes no projeto que hoje se inicia, e dirigiu-se sobretudo a Augusto Porto: “nós estamos a fazer o vosso projeto. Augusto: não deixes que ninguém te tire o mérito, porque é de justiça que ele seja teu”.   

 A vitória do diálogo   

 A Secretária de Estado do Ordenamento do Território e da Conservação da Natureza, Célia Ramos, encerrou as intervenções, recordando que cresceu profissionalmente com o Alto Minho e com Caminha em particular, por causa do seu trabalho da CCDR. Sublinhou a importância da pesca e das classes piscatórias e os resultados de um trabalho de diálogo e articulação no seio do Governo e com os organismos relacionados, como é o caso da Polis e dos municípios, mas também com as classes profissionais, como são os pescadores.   

 “É uma nova forma de trabalhar, com os que conhecem as realidades e os territórios, conciliando também o que são as valências desses territórios”. Cália Ramos agradeceu os contributos de todos, mas em especial do presidente da Câmara de Caminha, enaltecendo a sua capacidade de diálogo, a sua estratégia e eficácia para estabelecer pontes e para colocar os projetos no terreno.   

 A modernização do Cais de Pesca integra, como referimos, o projeto de requalificação da marginal de Caminha, já concluído, e prevê, especificamente, o aumento da área útil do cais, o prolongamento da ponte-cais, a reparação/beneficiação da rampa-varadouro e das estruturas para amarração as embarcações e recuperação das escadas para acesso às embarcações, a instalação de um novo guincho na rampa e o incremento da capacidade de atracação dos barcos. O investimento é financiado pelo Programa Operacional Mar 2020 em 75%.   

 Também ontem arrancarom novos troços da futura Ecovia do Litoral Norte, entre eles os troços das margens direita e esquerda do Rio Âncora.

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