8 de feb. de 2017

CAMINHA

CAMINHA VILA SERRALVES MOSTRA “MÚSICA E PALAVRAS – OBRAS DA COLEÇÃO DE SERRALVES”

Para ver no Museu Municipal de Caminha, antigo Posto de Turismo de Caminha, Torre do Relógio e Galeria de Arte Caminhense até 16 de abril

Assinatura do procolo Caminha Vila Serralves


Infogauda /Caminha

 "Hoje germina uma relação nova da nossa terra com a cultura, hoje associamos a nossa forma de ser e de estar a uma longa corrente que percorre os melhores museus de arte contemporânea de todo o mundo, hoje transformamos Caminha numa Vila Serralves, a nossa terra num Concelho Serralves" - com estas palavras, o presidente da Câmara, Miguel Alves, deu as boas vindas a todos os que se associaram ao Município e à Fundação Serralves para a inauguração de uma grande exposição de arte contemporânea.  "Música e Palavras - Obras da Coleção de Serralves" é a primeira grande iniciativa no âmbito da adesão da Câmara Municipal ao projeto Serralves, de que se tornou membro fundador, e cujo protocolo foi também assinado, formalizando-se assim uma relação que transforma o concelho de Caminha na primeira Vila Serralves. O ministro da Cultura não pode estar presente por motivos de saúde.  

 Até 16 de abril, quatro espaços da Vila são palco de uma importante exposição de arte contemporânea do espólio da Fundação de Serralves. Os espaços do Museu Municipal de Caminha, antigo Posto de Turismo de Caminha, Torre do Relógio e Galeria de Arte Caminhense acolhem dezenas de obras de arte, fruto da parceria entre o Município e aquela que é, como frisou Miguel Alves, "uma das instituições europeias mais importantes na área da cultura". Os quatro espaços foram visitados, após a sessão que decorreu no Salão Nobre dos Paços do Concelho, em que participaram, entre outros, a Presidente da Fundação de Serralves, Ana Pinho; o Presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves, Luís Braga da Cruz; a Vice-Presidente da Fundação de Serralves, Isabel Pires de Lima; a Alcalde de A Guarda, António Lomba Baz, e o Diretor Regional da Cultura do Norte, António Ponte.

 Uma nova significância da cultura    
 Para Miguel Alves, a parceria com Serralves exprime o modo como o Município hoje encara a significância da cultura: a "forma como ultrapassamos a mediocridade daqueles para quem a cultura é, e sempre será, um parente menor da governação e da gestão do dinheiro público. Entendo as dúvidas daqueles que esperam para ver de que modo esta relação frutificará, aquele pessimismo que, tantas vezes afinal, serve de impulso à mobilização da alma mas não entendo o vitupério e a maledicência daqueles que trouxeram comboios turísticos que passeavam chinelos de praia, os mesmos que foram responsáveis por PPP'S que consomem 1 milhão de euros por ano aos nossos munícipes, exatamente os mesmos, sem tirar nem pôr, que criaram programas de distribuição gratuita de suínos que custaram milhares de euros a Caminha e que agora criticam um investimento, muito inferior, na promoção da nossa cultura e valorização da nossa terra".  

 O presidente referiu-se ainda à forte aposta na Cultura e nas Pessoas, que marcou os últimos três anos de gestão. Recordou que "este é um concelho que pinta, por onde Almada Negreiros passou, um concelho que nos últimos três anos apresentou 91 exposições que envolveram 230 artistas plásticos só nos espaços municipais, que apoia as associações e os artistas, que faz gala da Arte na Leira, um projeto único de pintura na Serra d'Arga que apoiamos anualmente, que cede instalações e junta eventos com oportunidades, as mesmas que permitiram financiar os bombeiros de Caminha através de um leilão de arte". 

 Outras realidades que fazem parte da estratégia cultural do concelho foram ainda referidas, como o investimento de cerca de um milhão de euros numa nova biblioteca; a aposta no teatro, com um programa que nos últimos dois anos levou esta arte a todas as freguesias; a promoção do Festival Luso Galaico da Marioneta; a criação e condições para a reabilitação do Cineteatro em Vila Praia de Âncora e a recuperação do Festival de Vilar de Mouros. 

 Relativamente à preservação do património, o presidente da Câmara salientou a requalificando o Mosteiro de São João d'Arga, "uma joia românica no cimo da Serra que mereceu um investimento superior a meio milhão de euros sempre adiado", assim como o Dólmen da Barrosa, candidatado a um projeto de valorização do megalitismo, isto para "um espaço que estava esquecido na extraordinária Vila Praia de Âncora".  

 Na área da paisagem, Miguel Alves lembrou o reatamento de relações com a vizinha A Guarda, e o projeto comum em curso, de candidatura do estuário do Minho a um título universal, único, de reconhecimento global, o título de Paisagem Cultural da UNESCO, a primeira candidatura transfronteiriça em Portugal.    

 O importante papel da dinâmica associativa    
 O presidente da Câmara falou ainda da importância das instituições concelhias e pediu aos seus representantes que "não receiem esta interpelação (Serralves) e não se deixem intimidar pelos medíocres que criticam a aposta da Cultura no concelho de Caminha: esta é uma oportunidade para crescermos juntos, em comunidade e em interação com outro universo".  

 Dirigindo-se aos representantes das associações, Miguel Alves sublinhou: "só estamos aqui porque vocês têm feito um trabalho extraordinário. Quando as instituições públicas falharam, quando o Município falhou, vocês e outros antes de vós estavam aí para preservar a nossa cultura e para manter as mentes do concelho abertas, tolerantes e curiosas. Estes protocolos não são para a Câmara, são para vós. É para vós que hoje inauguramos uma exposição de arte contemporânea de qualidade indiscutível, uma exposição que junta a palavra, que tantos saboreiam, com a música que tantos tocam e cantam, uma exposição que traz a Caminha a arte de grandes nomes nacionais e internacionais, uma exposição que poderia estar no Porto, em Paris, em Nova Iorque, sem favor, e que estará de hoje até 16 de abril aqui na nossa terra, em Caminha, Vila Serralves".    

Estatuto de fundador beneficia a população    
 Miguel Alves agradeceu a todos os que trabalharam para que esta grande exposição fosse possível, e em particular à Presidente da Fundação de Serralves, Ana Pinho: "não esquecerei a sua abordagem quando convidou o Município para ser Fundador de Serralves. Não impôs nem pretendeu demonstrar o que Caminha ganharia com Serralves, centrou-se primeiro no que Serralves poderia ganhar com a dinâmica e o contributo de Caminha para depois explicar como Caminha poderia crescer com a Fundação".  

 O protocolo agora assinado permite o estabelecimento de uma relação privilegiada com Serralves e traz benefícios diretos e imediatos para a população do concelho. Por exemplo, permite que todas as crianças até aos 12 anos do concelho de Caminha tenham entrada gratuita em Serralves; permite descontos nas entradas a jovens que estejam a estudar e aos residentes do concelho com mais de 65 anos; promove a colaboração das escolas com Serralves, no desenvolvimento de programas pedagógicos que visem a formação das crianças e jovens nas áreas do ambiente e da cultura, etc.  

 As instituições do concelho poderão também articular com a Câmara participações especiais em eventos organizados por Serralves, como sejam o "Serralves em Festa" ou a "Festa de Outono".      

Serralves abre portas à cultura de Caminha      
 Caminha e Serralves partilham a vontade de fazer mais e as portas da Fundação estão abertas para a cultura de Caminha - esta foi a mensagem deixada hoje pela Presidente da Fundação de Serralves. Ana Pinho sublinhou o facto de o concelho ser a primeira Vila portuguesa a tornar-se membro fundador da Fundação de Serralves e saudou o trabalho aqui desenvolvido no âmbito cultural, na diversificação e na qualificação da oferta cultural. 

 A responsável lembrou que Serralves promove anualmente mais de 500 atividades, destacando também o serviço educativo. Ana Pinho falou ainda da componente internacional, referindo que estão a ser preparadas cinco exposições em cinco importantes locais do mundo, a primeira em Valencia, seguindo-se Berna, Virgínia (EUA), S. Paulo e Santander, que correspondem à política de internacionalização.  

 "Temos muito a aprender e a partilhar e seguramente estamos em condições de levar Caminha, a sua cultura, à Fundação, ao Porto", concluiu Ana Pinho.     O Presidente do Conselho de Fundadores da Fundação de Serralves, Luís Braga da Cruz, interveio no final da sessão. Falou de Serralves como um projeto para formação de novas gerações e da coleção da Fundação, que tem em vista os jovens.  

 Luís Braga da Cruz recordou ainda uma viagem em que coincidiu com Miguel Alves, que se deslocava à Tunísia para representar o Município de Caminha a propósito das formas de governação participativa que são desenvolvidas no concelho e que colocou Caminha a par de Madrid. Nessas conversas, como Miguel Alves tinha referidos antes, plantou-se apenas a semente "do que veio a ser este enorme compromisso, mas, desde então, cuidamos de regar e tratar aquela possibilidade que começou frágil e veio tornar-se realidade".

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