6 de dec. de 2020

OIA

PATRIMÓNIO

Considerações paisagistas em Oia  

(119ª parte) 


 

ENCONTROS POLIORCÉTICOS / Oia  

 Associação  "Amigos  do  Mosteiro  de  Monfero"  representou  um  manancial  de  humanismo  em  tempos  já  volvidos. A  sua  existência  quantificada  ocupa,  salvo  erro,  o  ínterim  do  ano  de  2014  até  o  mês  de  maio  de  2018.  Apresentam-se  assim:  "  No  início  do  século  XII,  a  mão  do  homem  pôs  a  primeira  pedra  do  que  se  chamou  o  Mosterio  de  Santa  María  de  Monfero.  Essa  pedra,  era  o  simbólico  primeiro  degrau  da  longa  escada  que  conduz  grande  parte  da  humanidade  ao  encontro  de  si  mesma  e  à  procura  de  Deus.  Os  mosteiros  nasceram  como  pequenas  cidades  retiradas,  austeras  e  auto-suficientes,  remansos  de  espiritualidade,  contemplação  da  criação  no   meio  da  melhor  natureza,  locais  de  convivência  e  fraternidade.  Lá  dedicavam  os  monges  o  seu  tempo  ao  "ora  et  labora":  quinta,  moinho,  horta,  manufaturas..., biblioteca,  cantos,  liturgia,  escultura,  pintura...Toda  uma  rica  herança  de  vida  quotidiana  e  força  criadora  que  não  queremos  esquecer.  Agora,  no  século XXI  onde  o  homem  e  a  mulher  anseiam,  mais  do  que  nunca,  se  encontrarem  consigo  próprios  e  com  o  eterno,  com  as  suas  raízes  e  com  a  história,  com  a  criatividade  e  a  arte;  a  mão  da  humanidade  pretende  atuar  de  novo.  Homens  e  mulheres  unimo-nos  agora  para,  desde  o  respeito  e  admiração  por  essa  herança,  descobrir  e  dar  a  conhecer  essa  bela  pegada  do  tempo.  E  este  o  fim  comúm  da  Associação  "Amigos  do  Mosteiro  de  Monfero":  que  estas  "pedras  vivas"  sejam  conhecidas  e  reconhecidas,  restauradas,  conservadas  e  protegidas.  Que,  apesar  de  tudo,  possam  continuar  a  ser  fonte  refrescante  de  cultura,  fé,  música,  arte  e  liturgia.  Se  quiseres  nos  ajudar  no  esforço  de  subir  degraus  na  escada  da  história,  podes  contar  connosco.  Estamos  à  tua  espera.  Faz-te  sócio  ou  colabora  ativamente  com  a  nossa  associação".  

 


 

 Ao  total,  somavam  uns  500  ou  600  aderentes  dispostos  a  resgatar  como  fosse  eventos  vários  que  nutrissem  a  sua  vontade  de  permanência  (por  exemplo,  a  romaria  da  Virgem  da  Cela)  e  o  assento  popular  das  suas  petições  (o  que  preservara  em  tempos  já  recuados  de  outras  coisas  bem  piores,  como  a  calamitosa  proposta  de  remoção  da  fachada  e  igreja  para  a  cidade  da  Coruña,  acarinhada  por  Francisco  Franco).  Pouca  dura  da  associação  possibilitou  o  estagnamento  do  conjunto  monástico  e  o  advento  suspeito  da  ACIGAL,  querendo  se  gabar  de  ter  estabelecido  um  Itinerário  Cultural  Cisterciense  na  Galiza  a  nível  da  "Charte  Européenne  des  Abbayes  et  sites  cisterciens"  (menos…). Primeiramente  honrem  a  sua  Carta  de  Valores  e  logo  falamos  do  resto;  respeitem,  por  exemplo,  os  artigos  17,  18  ou  19  da  Lei  do  Património  Histórico  Espanhol  (  LPHE  ),  legislação  estatal  invadida  por  12  preceitos  da  Lei  do  Património  Cultural  de  Galiza  do  ano  2016,  que  logo,  logo,  haverá  todo  o  diálogo  que  vocês  quiserem.  Estes  preceitos  postos  em  causa,  muito  casualmente  redigidos  apartir  do  oleamento  desta  ACIGAL  (a  simultaneidade  é  palavra  chave,  visto  que  o  chamado  FEIJOISMO  acompanha  de  perto  a  existência  da  ACIGAL)  serão  postos  no  tapete:  Artigos  21.2  /  22.5  /  39.1  /  44.1.h  /  49.3  /  50  /  52  /  88.1.f  /  102.1  /  115.1  /  117.1  e  2.  Assim  sendo,  no  día  15  de  fevereiro  de  2017  consideraram-se  resolvidas  essas  diferenças  a  favor,  obviamente,  da  NÃO  INVASÃO  COMPETENCIAL.  Mas  a  farsa  ainda  continua,  não  sendo  casual  que  ACIGAL  mantenha  planos  de  invasão  urbanizadora  nas  "suas  propriedades",  como  se  nada  fosse,  e  que  este  senhor  emperiquitado  chamado  Feijóo  queira  dissolver  todos  os  direitos  de  um  qualquer  queixoso,  de  um  qualquer  contraditório.  A  tal  dita  invasão  competencial  foi  iniciada  por  uma  Lei  do  Património  de  Madrid  (  Lei  3/ 2013,  de  18  de  junho,  de  Património  Histórico  da  Comunidade  de  Madrid  )  que  julgava  que  poderia  passar  "a  frente"  na  arquetípica  chularia  dos  ditos  "entre  iguais".  Chularia  contestada,  marcada  e  travada  pela  lógica  dos  mais  centrados  nesta  Espanha  incumpridora.  Uma  Sentença  do  Tribunal  Constitucional  oportuna  dava  asas  e  oxigénio  à  normativa  equilibradora  que,  finalmente,  restaurara  as  coisas  (STC  122/ 2014,  de  17  de  julho,  já  incorporada  como  doutrina).  Com  data  de  26  de  julho  de  2016  encontraram-se  uns  e  outros  na  primeira  reunião  da  Comissão  Bilateral  de  Cooperação  entre  a  Administração  Geral  do  Estado  e  a  Comunidade  Autónoma  de  Galiza,  sendo  o  pano  de  fundo  a  dita  invasão  de  títulos  competenciais  estatais  (como  tinham  referido  os  artigos  149.1.28  e  149.2  da  Constituição  Espanhola).  A  coisa  vem  de  longe,  dado  alguns  quererem  ultrapassar  ou  preterir  boas  leis  generalistas  (LPCG  de  1995;  LPHE  de  1985)  e  dar  passo  a  um  novo  ciclo  tijoleiro  sem  entraves,  com  muita  "simplificação"  e  forte  presença  de  argumentos  políticos  neoliberais.  Mosteiro  de  Monfero  é  mais  uma  vítima  desse  FEIJOISMO,  sendo  que  os  passos  dados  só  beneficiam  às  futuras  políticas  que,  aliás,  querem  se  iniciar  em  Oia  desde  uma  consignatária  de  Vigo.  Continuaremos  a  falar  de  Monfero.   

Artigo precedente.

Ningún comentario:

Publicar un comentario