10 de dec. de 2019

OIA

PATRIMÓNIO

Considerações paisagistas em Oia 
(71ª parte)



ENCONTROS POLIORCÉTICOS / Oia  

 Palavra COMENSALISMO vem mesmo a calhar no contencioso de Oia. "RMO" obtem um benefício evidente do mosteiro supeditando-o à futura urbanização a levantar. Esta interação parasita conduz linearmente à subsidiaridade, à neutralização de todo um espaço monacal. Obviamente, não é assumível tal dualidade. Chamariz dos ditos "trabalhos de manutenção" fala bem alto dos ritmos arbitrários estabelecidos pelos de sempre; tudo menos fazer uma abordagem serena da expropriação forçada. Aposta da "RMO" baseia-se nesses timings demorados, até arquiteturar um PXOM à medida dos seus interesses. "Trabalhos de manutenção" não passam de cuidados paliativos que mantêm um "statu quo" condizente com as estratégias desta "RMO". Temática constante na ecologia, na  fitossociologia, na  climatologia ou na pedologia está presente no plano urbano da "RMO"? Não, de todo.  Tiveram em conta os princípios gerais da dinâmica de formação da paisagem e da sua conservação? Não. "Kaleido" é um ateliê carente das mínimas considerações relativas à paisagem, ignora pautas basilares para um  "land" cultural.  Pensam, em resumo, que as paisagens históricas podem ser alteradas por "ser eu dono desta propriedade". Inconsistências destes senhores conformam pântano decadente que tem por norma ausência desta. Responsabilidade dos que votaram pela expropriação forçada na Câmara Municipal de Oia é passível de ser reclamada hoje em día. Expropriação trará primeiramente esclarecimentos sobre a natureza privada de muitos mosteiros na Galiza, da conveniência de serem intervidos, das oposições sempre colocadas na mesa pelos agentes contratuais  (agentes locais de toda laia, bipartidismo) e dos incumprimentos de leis que eles próprios cozinham para não as respeitar. Acordos contratuais partem de um suposto entendimento, mas não de um acordo consensuado que contemple soluções previdentes para respeitar uma paisagem sentida e herdada. É dificílimo entender atuações futuras que nada terão a ver com a Oia que era, com a memória real de um espaço (que não essa memória instrumentalizada,  feita a um projeto urbanizador). "S.O.S. Mosteiro" devia ter avançado com um pedido de Incoação do mosteiro e envolvente como Bem de Interesse Cultural de acordo com a LPCG, deixando de parte esse BIC genérico do  ano 1931; está  ainda a tempo de o fazer, por forma a travar o PXOM que preparam os perpetradores. Nesse cartaz dos "trabalhos de manutenção" aparece um claustro aberto para o norleste, uma "U" que sempre foi isso. No entanto, negam-se hipocritamente as verdadeiras intenções subjacentes ao próprio projeto, quer do Spa, quer da futura urbanização. Um simples desenho pode dizer muita coisa! 



 Francisco Caldeira Cabral disse muito acertadamente o seguinte: "A beleza deve ser o reflexo espontâneo da boa adequação da obra ao fim proposto, como  qualidade intrínseca, e não, como geralmente se supõe, em resultado de uma série de operações posteriores, e portanto extrínsecas, chamadas embelezamento". "RMO" confunde ao público com esses embelezamentos, confunde paisagem com apósitos. Continúa, aliás, a praticar comensalismo com a vizinhança. 

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