Fogos cruzados em S. Tiago da Barra
José Buiza Badás
Na foz onde começa realmente a Galiza, nas suas várias interpretaçons subjectivas, temos um digníssimo exemplar de arquitectura militar para a defesa da barra geográfica e para o fogo de cruzamento: Sam Tiago da Barra, em Viana da Foz do Lima.
Sem querer chatear muito, sem encher a telha dos leitores, convirá tecer um quadro mínimo de elementos compositivos que nos apareçam a primeira vista. Nom há outro remédio.
Trata-se de umha fortificaçom escalonada quanto a épocas que recuam ao século XV. Perscrutando este forte, reparamos num canto Sul de remota idade, onde contabilizamos, merlons, 2 guaritas descobertas, matacám, escadas e umha inscriçom manuelina onde se afiguram a esfera armilar, Escudo e coroa portuguesas e Cruz do Cristo, para além dos canzorros de sustentaçom. Som manifestaçons do principiante Quinhentos e espólio onde nom faltou umha prisom a nível do primeiro corpo. Posteriormente, passa-se a enformar umha planta trapezoidal de 30 por 40 metros de área inicial, aderida ao primer local construído e antes citado, chamado da Roqueta, cujos traços ainda podem apreciar-se se bem que, no entanto, apareçam sucessivamente aqueles que dem molde a essa outra estrutura, de entre o terceiro e último quartel do S. XVI.
Avançando imaginariamente no tempo, para soubermos soletrar este enclave, temos à nossa frente um perímetro seiscentista, metade do S. XVII, com 4 baluartes e 3 cortinas que fai umha contagem de 720 metros e um polígono pentagonal. Essas medidas corroboram-se num outro perímetro setecentista, agregado e externo, de 506 metros. Som os caminhos cobertos, os revelins da Porta e do Campo e da Agonía e as contraguardas, com fosso entremeado.
O aparelho alí emprega à mistura a regularidade dos muros com a alvenaria ordinária de revelins. As troneiras som díspares (6, 7, 4 ou 2, conforme baluartes). O revelim Este tem componentes que convém sublinhar: Guarita com base ou lâmpada de duplo avanço ou emolduraçom a aconchegar o cunhal, cilíndrica no corpo, com cordom e ressalto inferior. A sua base engolada, de face curva, resolve-se com duas fiadas de aparelho nas que o molde e o plano conjugam-se para distribuir perfis e também cargas. A coroa aparece separada do corpo por um colarinho.
Este revelim tem acesso de arco de meio ponto ou volta perfeita, cornija e entabulamento, recercado quadrangular, 2 pilastras, aduelagem de 7 peças, escudo coroado com volutas e um brasom na chave pertencente ao governador militar D. Joám de Sousa. O revelim Norte, contudo, tem guarita de menor altura relativamente ao paramento. Algumhas com base decorada com borla pendurada.
Há muitos outros elementos: cantos de cortina com semicobriçom, casamatas, talvez alguma poterna, ponte-passadiço de um só van, balcons amatacanados de quatro lados e mísulas ou canzorros. A entrada principal do Corpo de Guarda tem fachada dupla: arco de volta perfeita, com aduelagem de 13 peças a peraltarem talvez a semicircunferência; listel de separaçom que, em jogo com o talude cria recercado e condiciona a projeçom curva do próprio arco. A representaçom alí detectada fala-nos, num segundo patamar fachadista, com cornija de gola e caveto, de Escudo-coroa de Portugal, Brasom dum tal Diogo de Lima e um outro brasom de Filipe I, estes últimos sob vans quadrados e cercos a destacar-se da caiaçom branca.
O trânsito ou corredor é exemplificante de tantos outros, abobadado, destinado à guarda. As dependências militares, capela, adotam umha disposiçom perimetral que respeita essa demarcaçom pentagonal. Este forte tem muito pano de fundo e tem-se referenciado em todo o lado, com estúdios de toda índole.
Neste estudo improvisado, tem-se feito o essencial, aquilo que suscite umha mínima curiosidade do leitor. Este forte tem umha história avultadíssima, os seus baluartes tenhem nome de santos, as suas vicissitudes falam de pirataria mourisca, inglesa e galega. Enfim, recreiam-se muitas e possíveis interpretaçons num todo.

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