Cruz
de Valença atravessa o Rio em barco
e dá-se a beijar aos espanhóis
Vitor Salvador / Valença
A freguesia valenciana de Cristelo Côvo
celebra os tradicionais festejos em honra de Nª Sr.ª da Cabeça, com destaque
para o Lanço da Cruz, no dia 21 de Abril, Segunda-Feira de Páscoa, no Parque
Natural da Senhora da Cabeça, junto ao rio Minho.
O Lanço da Cruz, o ponto alto dos festejos, está programado para as 17h,
do dia 21 Abril, Segunda-Feira de Páscoa. Esta tradicional romaria
galaico-minhota decorre sempre na segunda-feira imediata ao fim de semana da
Páscoa.
Ao
entardecer, depois da visita pascal, à freguesia de Cristelo-Côvo (Valença), o
pároco, devidamente paramentado e com uma cruz ornamentada, entra num barco de
pesca e dirige-se até à margem espanhola onde dá a cruz a beijar aos
paroquianos da outra margem. Durante esse período são lançadas, pelos
pescadores as redes benzidas ao rio. Todo o peixe que sair no lance é para o
pároco. Entretanto com o pároco português regressa, no barco, o pároco de
Sobrado – Torron, concelho de Tomiño (Galiza), dando a cruz a beijar aos
peregrinos que aguardam junto ao rio, na margem portuguesa. Várias embarcações
portuguesas e galegas acompanham este compasso pascal nas águas do Minho.
Até à noite os sons das gaitas de foles misturam-se com os das
concertinas, das castanholas, o rufar dos bombos e tambores numa autêntica
romaria galaico-minhota.
Na terça-feira, 22 de Abril, merece especial referência a missa para os
peregrinos da Galiza, celebrada em galego, por um padre galego. Neste dia
também, por tradição, os peregrinos desfrutam dos seus merendeiros nas sombras
do parque comendo, sobretudo, o que sobrou do carneiro ou cabrito da Páscoa.
A tradição do Lanço da Cruz é uma manifestação religiosa e popular muito
acarinhada pelas populações da raia minhota que ano após ano atrai um maior
número de populares e turistas.
Para
o Presidente da Câmara, Jorge Salgueiro Mendes, ”Esta é uma manifestação
cultural e religiosa única no mundo, só possível graças às excelentes relações
seculares entre galegos e minhotos, em Valença”.

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