13 de xul. de 2026

TUI/VALENÇA DO MINHO

Mais de 130 pessoas participam nas visitas às fortificações de Tui e Valença no âmbito das atividades de Fortalezas da Fronteira 

 A arqueóloga Rebeca Blanco-Rotea orientou, durante a manhã, um percurso pelo recinto fortificado medieval de Tui, e o arquiteto Tiago Rodrigues conduziu, à tarde, uma visita à Fortaleza de Valença do Minho 


A programação incluiu dois percursos complementares: durante a manhã, uma visita pelo recinto fortificado medieval de Tui, orientada pela arqueóloga e investigadora Rebeca Blanco-Rotea; e, à tarde, um percurso pela Fortaleza de Valença do Minho


Xurxo Salgado e David Sobrino/Tui / Valença do Minho

 O projeto Fortalezas da Fronteira realizou este domingo uma jornada dedicada à paisagem fortificada de Tui e Valença, dois espaços fundamentais para compreender a história defensiva da raia e a relação entre ambas as margens do rio Minho. Uma série de visitas que contou com a presença de um total de mais de 130 participantes ao longo do dia. 

 A programação incluiu dois percursos complementares: durante a manhã, uma visita pelo recinto fortificado medieval de Tui, orientada pela arqueóloga e investigadora Rebeca Blanco-Rotea; e, à tarde, um percurso pela Fortaleza de Valença do Minho, conduzido pelo arquiteto e investigador Tiago Rodrigues. Ambas as atividades permitiram conhecer, no próprio terreno, a evolução dos sistemas defensivos da fronteira e a forma como estes condicionaram a paisagem, o urbanismo e as formas de habitar o território. 

 Os dois percursos contaram com a presença e a intervenção inicial, respetivamente, do presidente da Câmara Municipal de Tui, Enrique Cabaleiro, e do presidente da Câmara Municipal de Valença, José Manuel Carpinteira. 

 O percurso da manhã centrou-se no sistema defensivo de Tui, formado por dois elementos correspondentes a épocas distintas: o recinto medieval amuralhado e a fortificação moderna. A sobreposição destas estruturas com o tecido urbano da cidade, bem como as transformações acumuladas ao longo do tempo, tornam complexa a sua leitura e fazem com que, em alguns pontos, seja difícil delimitar com precisão os vestígios conservados. 

 Durante a visita, Blanco-Rotea explicou a importância do recinto medieval, datado do século XII, que protegia a cidade através de uma muralha de planta irregular, tendencialmente trapezoidal, com o lado mais comprido paralelo ao rio Minho. A cidade dispunha de torreões de planta quadrangular, portas de acesso e elementos defensivos que foram evoluindo ao longo dos séculos, como a barbacã baixo-medieval ou outras adaptações posteriores. 

 O percurso permitiu observar alguns dos troços visíveis da muralha medieval, profundamente modificados nas épocas moderna e contemporânea, assim como espaços nos quais a defesa histórica da cidade ficou integrada entre habitações, ruas, esplanadas, pátios e estruturas urbanas posteriores. 

 Durante a tarde, a programação transferiu-se para a outra margem do Minho, com um percurso pela Fortaleza de Valença, orientado pelo arquiteto Tiago Rodrigues. A fortificação de Valença, situada na margem esquerda do rio e classificada como Monumento Nacional desde 1928, constitui um dos grandes conjuntos defensivos da fronteira portuguesa. Rodrigues abordou a evolução histórica da fortificação, cujas origens remontam à transição entre os séculos XII e XIII, quando se destinava à defesa da população e da passagem do rio. A visita permitiu conhecer, em especial, a grande transformação ocorrida durante a Guerra da Restauração, quando Valença foi reformada e ampliada enquanto praça-forte abaluartada, com um complexo sistema de baluartes, fossos, revelins e passagens defensivas. Durante o percurso foi explicada a organização da fortaleza em diferentes setores, entre eles a denominada Coroada, assim como o papel dos seus baluartes e estruturas defensivas no controlo do território e das comunicações. O bom estado de conservação do conjunto permite atualmente compreender a dimensão desta praça-forte e a sua relevância no âmbito da defesa do Alto Minho e da fronteira com a Galiza. 

 Estes percursos fazem parte da programação aberta de Fortalezas da Fronteira, um projeto que combina investigação arqueológica, voluntariado, formação e divulgação em torno do património defensivo da raia galego-portuguesa. A iniciativa decorre, durante estes dias, em torno do sítio arqueológico de As Torres, em San Miguel de Taborda, Tomiño, no âmbito de um campo de voluntariado internacional da Xunta de Galicia, no qual participam jovens entre os 18 e os 30 anos provenientes da Galiza e de outros pontos de Espanha, Itália, Colômbia e México. 

 Na campanha arqueológica participam também alunas em estágios curriculares integrados na Licenciatura ou no Mestrado em Arqueologia do Departamento de História do Instituto de Ciências Sociais da Universidade do Minho, com o apoio da UAUM. Por outro lado, a equipa de comunicação conta igualmente com estudantes em estágios curriculares da Faculdade de Ciências da Comunicação da Universidade de Santiago de Compostela.      

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