11 de xul. de 2026

TUI

Tiago Rodrigues e Rebeca Blanco-Rotea apresentam em Tui novas olhadas sobre a paissagem fortificada do Vale do Minho: “A cartografia histórica e a paisagem permitem desmontar e compreender este território” 

  As BARferências de Fortalezas da Fronteira realizaram-se esta sexta-feira ao final da tarde no Al Dente, no Mercado de San Antonio, e contaram com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tui 



A sessão contou com a participação do arquiteto e investigador Tiago Rodrigues e da arqueóloga e investigadora Rebeca Blanco-Rotea


Xurxo Salgado e David Sobrino/Tui 

 O projeto Fortalezas da Fronteira levou, ao final da tarde desta sexta-feira, ao Al Dente, no Mercado de San Antonio de Tui, uma nova sessão do seu ciclo de BARferências, centrada desta vez na paisagem fortificada do vale do Minho e no papel histórico de Tui no âmbito dos sistemas defensivos da raia galego-portuguesa. 

 A sessão contou com a participação do arquiteto e investigador Tiago Rodrigues e da arqueóloga e investigadora Rebeca Blanco-Rotea, que apresentaram dois olhares complementares sobre a configuração, evolução e leitura territorial das fortificações da fronteira. 

 Tiago Rodrigues, doutorando em Arquitetura na Universidade do Minho e investigador no Lab2PT, abriu a sessão com a conferência “Fisionomias da Paisagem Fortificada: (des)mistificar e (des)montar o território no vale do rio Minho”. Na sua intervenção, explicou de que forma se pode estudar a paisagem fortificada do vale do Minho a partir da identificação dos elementos que a caracterizam e da análise da sua organização territorial. 

 Rodrigues abordou o próprio conceito de paisagem fortificada e mostrou como a cartografia histórica permite reconhecer a distribuição de estruturas, relações visuais, posições estratégicas e sistemas defensivos desenvolvidos especialmente no contexto da Guerra da Restauração. A sua conferência propôs uma leitura metodológica do território, entendendo as fortificações como parte de um conjunto articulado e não como elementos independentes. 

 De seguida, Rebeca Blanco-Rotea centrou a sua intervenção no sistema fortificado e na paisagem defensiva de Tui, uma cidade historicamente marcada pela sua posição estratégica frente a Valença e pelo seu papel no controlo do território, das comunicações e das passagens do rio Minho. A arqueóloga abordou a importância de compreender estas estruturas não como elementos isolados, mas como parte de uma paisagem construída ao longo do tempo, na qual se combinam fortificações, caminhos, visibilidades, relações entre núcleos e dinâmicas de controlo da fronteira. 

 Neste sentido, Blanco-Rotea destacou a necessidade de observar o território a partir de uma perspetiva ampla, incorporando tanto os vestígios materiais conservados como a leitura da paisagem que os envolve. A sua intervenção permitiu dar a conhecer ao público a relevância histórica do sistema Tui-Valença, um dos grandes conjuntos defensivos da raia minhota, bem como o seu valor patrimonial na atualidade. 

 A BARferência contou também com a presença do presidente da Câmara Municipal de Tui, que agradeceu ao projeto Fortalezas da Fronteira a organização desta atividade no município e destacou a importância destes sistemas fortificados como parte essencial da história, da identidade e do património partilhado da fronteira. 

 Com esta sessão, Fortalezas da Fronteira dá continuidade à sua programação aberta à comunidade, que combina investigação arqueológica, divulgação, voluntariado, percursos e encontros com especialistas. 

 O objetivo é aproximar a história da raia de novos públicos e contribuir para o conhecimento e valorização do património defensivo do Baixo Minho. O projeto desenvolve-se por estes dias em torno do sítio arqueológico de As Torres, em San Miguel de Taborda, Tomiño, no âmbito de um campo de voluntariado internacional da Xunta de Galicia, no qual participam jovens da Galiza, de outros pontos de Espanha, de Itália e do México. Durante as manhãs, as pessoas voluntárias colaboram nos trabalhos arqueológicos e participam em atividades formativas, enquanto, durante as tardes, integram propostas de lazer, visitas e atividades de conhecimento do território. 

 A programação de Fortalezas da Fronteira continuará nos próximos dias com novas atividades em torno da arqueologia, da paisagem, da memória e da proteção do património da raia. 

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