13 de xul. de 2026

TOMIÑO

Mais de 60 pessoas percorrem em Goián um dos sistemas militares mais fortificados da guerra do século XVII entre a Galiza e Portugal 

A atividade contou com a participação de Xoán R. Carnero Fernández “Perico” e Rebeca Blanco-Rotea, que orientaram uma visita à Fortaleza de São Lourenço e ao sistema fortificado de Goián 


A atividade contou com a participação de mais de 60 pessoas provenientes de toda a Galiza, para além do grupo de jovens da Colômbia, Itália, México e de vários pontos de Espanha
A visita começou na Fortaleza de São Lourenço de Goián, onde Xoán R. Carnero Fernández “Perico” fez uma introdução histórica sobre a importância deste espaço no contexto militar, territorial e comercial do Baixo Minho


Xurxo Salgado e David Sobrino/Tomiño

 O projeto Fortalezas da Fronteira realizou este sábado uma nova atividade aberta à população, com um percurso pelo sistema fortificado de Goián, um dos enclaves mais relevantes para compreender a paisagem defensiva da raia do Minho durante a Guerra da Restauração. 

 A atividade contou com a participação de mais de 60 pessoas provenientes de toda a Galiza, para além do grupo de jovens da Colômbia, Itália, México e de vários pontos de Espanha que integram o campo de voluntariado internacional da Direção-Geral de Juventude da Xunta de Galicia, que este ano trabalha no sítio arqueológico de As Torres, em San Miguel de Taborda. 

 A visita começou na Fortaleza de São Lourenço de Goián, onde Xoán R. Carnero Fernández “Perico” fez uma introdução histórica sobre a importância deste espaço no contexto militar, territorial e comercial do Baixo Minho. Durante a sua intervenção, Carnero explicou que Goián foi um enclave minhoto de grande relevância durante a Guerra da Restauração, tanto pela sua posição estratégica frente ao rio Minho como pelo papel da travessia de barcas e das comunicações com a outra margem. 

 Segundo assinalou, neste local chegou a ser construído “o sistema militar mais complexo do Baixo Minho”, formado pelos fortes da Conceição, das Chagas e da Barca, tendo este último sido substituído, depois da guerra, pela atual Fortaleza de São Lourenço. Carnero recordou também que Goián foi um objetivo militar em diferentes momentos do conflito, com incursões portuguesas em 1644 e 1664, ano em que chegou a ser instalada neste espaço a Torre de Mateo da Guerra. 

 Após a contextualização inicial, o percurso permitiu conhecer a configuração do sistema fortificado de Goián e a sua relação com a paisagem, com o rio Minho e com a margem portuguesa. A atividade permitiu compreender como estas estruturas não funcionavam de forma isolada, mas integradas num dispositivo defensivo mais amplo, ligado ao controlo do território, das travessias fluviais e das vias de comunicação. 

 Um dos espaços abordados durante o percurso foi a Fortaleza da Conceição, uma fortificação de terra de grandes dimensões situada numa pequena elevação, com ampla visibilidade sobre o rio Minho e sobre a sua margem oposta. A fortaleza, localizada a cerca de 500 metros da margem em linha reta, fazia parte do conjunto defensivo de Goián e ocupava uma posição fundamental dentro do sistema. 

 Atualmente, a Fortaleza da Conceição encontra-se muito alterada pela urbanização da zona, pelas explorações, pela abertura de caminhos e pela construção da estrada que liga a C-550 ao cais do ferry, atravessando e dividindo o recinto. Estas transformações dificultam a leitura da sua forma original, embora ainda se conservem diferentes partes da sua estrutura, entre elas vestígios de baluartes, cortinas, fossos e uma obra de cornos. 

 A partir das plantas históricas, é possível reconstruir a sua configuração original, que incluiria cinco baluartes e uma obra de cornos avançada em direção ao rio Minho. Alguns destes elementos conservam ainda parte do seu perfil, enquanto outros desapareceram ou foram gravemente afetados por processos urbanísticos, caminhos, explorações de inertes, propriedades privadas ou vegetação densa. 

 Durante o percurso, a arqueóloga Rebeca Blanco-Rotea explicou também a relevância da obra de cornos, situada entre os baluartes orientados para sul e para leste, assim como da possível entrada da fortaleza, protegida por este elemento defensivo. A leitura do terreno permite ainda identificar desníveis, perfis estratigráficos e vestígios que ajudam a compreender tanto os processos construtivos da fortificação como as transformações posteriores sofridas pelo espaço. 

 O percurso integra a programação aberta de Fortalezas da Fronteira, um projeto que combina investigação arqueológica, voluntariado, formação e divulgação em torno do património defensivo da raia galego-portuguesa. Este projeto conta ainda com o trabalho de três alunas da Universidade do Minho, dos cursos de Licenciatura e Mestrado em Arqueologia do Departamento de História do Instituto de Ciências Sociais, com o apoio da UAUM.

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