PATRIMONIO
O dossiê de Santa Cruz pode marcar um antes e um depois no Minho
ENCONTROS POLIORCÉTICOS
Com registo de 19 de Outubro passado, Entrada 117251/ RX 2571953, a solicitude que pedia uma Inspecção e eventual abertura de Acta de Infracção relativa à Fortaleza de Santa Cruz segue o seu curso. Já se passaram dois messes e pudemos comprovar o efeito que tem nas administrações públicas este tipo de iniciativas: falta de hábito, lentidão, a gaveta como última solução, etc. De facto, não há uma cultura da queixa que possa estabelecer níveis garantistas para o cidadão, andamos na estaca zero.
No caso de A Guarda, chama a atenção o "sonoro" silêncio sobre esta questão nos grupos partidários. Estão calados até os que eram sempre do contra (talvez por causa das servidões que impõe o bipartido provincial). O Partido Popular, da sua vez, perde uma oportunidade de ouro para olear de vez a política de Património na vila guardense e acabar com os tachos e com os que pouco sabem de gestão patrimonial.
Referem-se situações que indiciam a "humanização" de ruas, a hipótese arcadiana de renovar aquilo que não tem conserto e outros truques e magias, ao pé de continuos ilícitos urbanísticos que envergonham esta vila (provavelmente não queiram um elenco de tais). Não é precisa a adscrição ideológica para isso. Basta ter um pouco de isenção. O miolo urbanístico na Guarda, o cerne de quase tudo está, por exemplo, no SUP 4, no PERI 3 ou nas Ordenanzas 3 e 4. Eis que o urbanismo democrático ficou enterrado de vez, agochado. Imaginam o que seria da Guarda se não tivesse atuado um grupo chamado Opinión, ponhamos por caso?
Ousaram também propor terreno para um novo Auditório na linde mesma do Castelo de Santa Cruz, contando os metrinhos e cientes da pantalha visual que ía decorrer de tal empreendimento. Este sería, suporía o terceiro grande atentado nos imediatos arredores da Fortaleza, fiquem avisados. O pano de fundo de tudo está no conceito terceiromundista do Turismo, a grosso traço, que impede passar a pente fino a montanha de irregularidades detetada ao longo de décadas nesta vila. Não há uma cultura patrimonialista e sim muito foguete, muita treta. Precisamos de vontades, de gente isenta que engrosse a iniciativa dos Encontros Poliorcéticos.


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