2 de set. de 2016

PATRIMONIO

Forte de Santa Apolónia, tensom permanente entre Património e desfeita



JOSÉ BUIZA BADAS

 Esta  obra, inconclusa em origem - 1652-1668 -, visava em tempos cobrir de ataques o lado Leste da cidade de Lisboa. Inserida numha  antiga  Quinta chamada do Manique, fai questom de colmatar umha necessária reabilitaçom que a isole dumha envolvente hostil e antiestética. Para isso o Movimento “Cidadania LX” de Lisboa elevou no seu momento informaçons e protestos, denunciando umha maneira de gerir o Património muito aquém do que se espera das Administraçons. Como sucede em toda parte, estas protelam, adiam, olham para outro lado, fazem-se de desentendidas e por aí fora. Daí a permanência nos tempos desse monstro chamado “Edifício Concordo”, de 12 andares, a ocupar no momento presente o solar do velho forte, nom dispondo de qualquer licença de habitaçom e denegrindo o bom nome dessa envolvente abaluartada de Sta. Apolónia.


 Tratava-se de recuperar a muralha e as suas 2 guaritas, de retirar entulhos, de criar um espaço verde que superasse a visom actual que tenhem as redondezas, como se dum ermo se tratasse. Mas, antes de mais, de dignificar um Imóvel de Interesse Público (Decreto de 6 de Maio de 1996) que em tempos tinha umha superfície de 7.900 m2 quadrados e um perímetro original de 365 m. de comprimento, delimitada polas ruas da Calçada das Lages e a Rua do Forte de Sta. Apolónia e coadunando-se com um outro Forte da Cruz da Pedra, próximo dele ao Suleste.

 A sua planta era pentagonal irregular e somente conserva hoje uns 150 m. de muralha, virada para o Leste. Mas o que agora som só umhas poucas lembranças materiais, conseguem ainda evocar guaritas que há 70 anos tinham bases ou lâmpadas cónicas inversas, um corpo cilíndrico esbelto com vans rectangulares recercados e cupulins com finos espigons. Com feiçom geral de aparelho irregular, os canteados,  os silhares de calcário estám presentes nas suas partes nobres, aparecendo o cordóm ou linha magistral. Tóme-se nota também de dous portões em arco rebaixado do século XVIII, de troneiras várias no alto de parapeitos sem trasdós, de umha escada de lanço único.

 Numha  planta adaptada aos desníveis, sobranceira ao mar, do qual distava 275 metros - hoje som 385 m. mercé  das docas, dos cais -, consegue desafiar ainda os dislates urbanos, as sobreposiçons de volumes e as desfeitas todas. Os ditos Hortos Sociais som prova dada da precariedade em que anda todo esse conjunto, sinal da imprevisom.

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