7 de xul. de 2016

PATRIMONIO

Baluartes  em  Puebla  de  Sanabria

Carta geográfica de Puebla de Sanabria (Pobra de Xeabra), de Pedro Moreau
(Arquivo de Simancas)

JOSÉ  BUIZA  BADAS (*)

 Com data de 7 de Novembro de 1743 o Arquivo de Simancas guarda umha carta geográfica de Puebla de Sanabria (Pobra de Xeabra) onde aparece a velha vila bastionada e os arredores. Nela,  Pedro Moreau descreve em pormenor a disposiçom quase que meândrica desta localidade xeabresa (ríos Castro e Tera) onde as evocaçons galegas som umha constante. Este ámbito extremo, para além da Alta Xeabra e o jeito de falar do  “porteixo”, regista toponimias como as que se seguem: Ungilde, Sendim, Sagalhos, Codessal, Requeixo, Vigo, Cubelo, Sampil, Galende, Terroso, Vime, etc., constituindo um espaço linguistico no mínimo pronto para a polémica e o debate. Já na Puebla, o próprio ribeiro de Candanedo ou o bairro de Lomba tornam a ponher a questom ao rubro.

  Estas semelhanças com a Galiza nom som as únicas. Lá, no Castelo dos Condes de Benavente, no torreóm, há um Centro de Interpretaçom das Fortificaçons. E mais ainda, o alcaide pertence às fileiras do Partido Socialista. D. José Fernández Blanco tem feito méritos louváveis com ocasiom das catas arqueológicas feitas no Fortim de S. Carlos, anos atrás, ou solicitando a limpeza do Ribeiro de Candanedo (33.000  euros  gastos) que era o limite do glacis de toda a estrutura bastionada ao Oeste.

 Pois bem, vamos recuperar a estrutura abaluartada e trazé-la ao presente. De Norte a Sur e do Leste para o Oeste vou referir os seguintes pontos de interesse: Antes de mais nada, Perímetro real das muralhas incluindo o caminho coberto, de 2 Quilometros de comprimento e umha área de 80.000 m2. A seguir começamos polo atenalhamento norte, que na actualidade tem umha mediçom de 264 m., constando de um redente   (hoje é um cemitério) e dum meio baluarte. Havia fosso escavado na rocha no seu frontal bem como porta de acesso. De seguido, um caminho descendente para o rio que fazia de parcial cinto murário atrás do qual ergue-se imponente o antigo Castelo dos Condes de  Benavente. Mais ao Sul, deparamo-nos com um baluarte ataludado feito polos portugueses e que na carta de Pedro Moreau afigura-se como de meio baluarte. Seguindo por estes longos paramentos de feiçom aparelhada irregular, de componente xistosa, logo após deixar atrás mais um pequeno baluarte e um cubelo, vamos parar  onde estava a  orta de S. Francisco bem como a duas redenturas e à Porta do Arrabal flanqueada polos Baluartes de S. Mateo e do Chambergo. À frente destes dous bastions estava o Reduto,  Padastro  ou Fortim de S. Carlos.

 A seguir, Pedro Moreau denuncia propiedades dum tal D. Pablo González a contravenir as Ordenanças Reais nas que proibia-se establecer hortos ou semeados em terrenos de glacis ou campanha militar. Circunscrevendo estas longas muralhas chegamos em direçom já norte ao Baluarte de S. Juan, pasando por mais umha redentura e chegando ao Baluartedo Moxabisto. Finalmente, colmatamos o percurso arrivando ao cemitério que ocupa aquele redente noroeste da tenalha. Completamos assim o antigo cinto de muros externos. 

 Sem embargo, temos um cinto interno que protegía o antigo Castelo torreado, contendo a Casa do Governador e o armazem de artilharia. Estes muros internos de aspeto ovoidal tinham as seguintes proteçons: O antes citado Baluarte dos Portugueses, o Baluarte do Rastrillo, o Baluarte puerta de Sanabria e umha outra saída no Sul, a chamada Porta do Meio. Finalmente, aquilo que resta hoje dos baluartes xeabrenses som ruas condizentes com as orientaçons antes apontadas, a Tenalha norte, o polémico Fortim de S. Carlos, tramos de muralha com alambor e acessos em ruina em pontos cardinais. No entanto, podemos dizer bem alto que a Puebla de Sanabria tivo e tem carácter bastionado.

* Membro  da  Association  Vauban

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