24 de nov. de 2015

PATRIMONIO

Armas e homens na terminología bélica fronteiriça


José Buiza Badás


 Para além das componentes arquitectónicas militares, dos elementos abaluartados e das reformas que muitos dos fortes medievais registarom, há um outro factor determinante no percurso das guerras seiscentistas e ainda posteriores. Os avanços na arte da milicia poucas  vezes tiverom recuos e conseguiram descortinar o futuro imediato dos povos, a bem ou a mal. Os assédios e a  defesa perante os sitiantes tinham umha particular linguagem, ligada aos posicionamentos, às trincheiras, à pirobalística e, obviamente, àquilo que decidiam as chefias em relaçom à tropa.

 Desde os bastions apurava-se um tiro de canhom cruzado a partir de parapeitos e terraplanagens, com carretas ou curenhas em madeira que suportavam ferros forjados e fundidos, baixados ou alteados por chapuzes e palmetas, reforçados por pinas e munhons, arranjados e mudados por cabrilhas e com algumha frequência limpados e  revistos no seu interior ou alma do canhom. Nessas carretas ou reparos era vital o bom estado dos eixos, da chaveta ou do sentroço, como partes que permitiam a estabilidade do próprio canhom depois dos estrondos, onde bota-fogos e morrons despoletavam os tiros  de rejeitamento.

 Esta nomenclatura é bem importante à hora de conhecermos a essência do combate e dos seus meios materiais inerentes, bem como a brutalidade e desproporçom em que se via envolvida a tropa toda. Utilizavam-se roqueiras e pedreiros com projécteis em pedra; caronadas, encadeadas, lanternetas de metralha, enramadas, pernos e palanquetas, bolas e balas de fogo, a semearem situaçons limites onde andavam a mistura pânicos e deserçons.


 As armas portáteis como o arcabuz, o mosquete e a clavina mostrarom a todos a rapidez no  voluir das máquinas de matar. A  vareta e o martelinho preparavam o bom desempenho das armas de portar. Todavia, os cavalos nom tinham melhor sorte, compartilhando chacinas e rebentamento de membros numha kermesse absoluta tingida de morte e vermelho. Um muito pior efeito  era o provocado polos elementos da palamenta, umha espécie de travessa cirúrgica onde eran servidas e roladas as utilidades de  cocharras, soquetes, saca-trapos, lanadas e tacos, numha inercia comprensível para a eficacia das baterías ou bastions cruzados. A pirobalística começava  por revelar uns efeitos que se prolongaram séculos adiante. Ademais, a autoadministraçom da pólvora  ou preparados inflamáveis (os ditos mistos) derom ao soldado umha capacidade dobrada de causar danos.

Ningún comentario:

Publicar un comentario