13 de ago. de 2021

CAMINHA

 CINEMA

Sexta-feira, 13/08 Boletim da Sessão nº 457 - "O Desconhecido do Norte-Expresso" de Alfred Hitchcock (1951) 

Sexta-feira, 13 de agosto às 21:45 no Teatro Valadares




ATENÇÃO: Uso de máscara obrigatório. Lotação Limitada. Entrada Gratuita.


Locus Cinemae / Caminha

“(…) Começo por chamar a atenção dos cinéfilos para a forma exclusivamente visual como Hitchcock conta o início da história. Seguimos dois desconhecidos nas suas chegadas independentes a uma estação de caminho-de-ferro, mas não há nenhum fragmento de diálogo que nos sirva de apresentação das personagens, que hão-de ser as principais: nada de acompanhantes que se despedem, nada de trocas de informações que caracterizem e distingam aqueles dois homens entre muitos que circulam e embarcam.  

 Hitchcock chega ao ponto de nem nos deixar estudar os seus rostos, material de leitura por excelência para interpretarmos o estado de espírito de alguém. Nada. O enquadramento exclui as cabeças e os ombros dos protagonistas, Guy Haines (Farley Granger) e Bruno Antony (Robert Walker, no seu maior papel), apenas vemos dois fatos em movimento e só nos podemos agarrar a dois traços distintivos e simbólicos: dois pares de sapatos. Os discretos sapatos pretos de um e os exuberantes sapatos de duas cores, brancos e (provavelmente) castanhos, de outro — ficam assim definidos os caracteres dos respectivos donos, que entram na carruagem, um após outro, e o que se senta toca, por acidente, no sapato do que já estava sentado. A câmara mostra, finalmente, os seus rostos, estão apresentados os desconhecidos, um ao outro, e a nós, espectadores. Começa a história de “Strangers on a Train”.  

 Há outras cenas a reter, como a do carrossel, a do reflexo dos óculos, a da partida de ténis em que todos os espectadores seguem a bola com os movimentos de cabeça, excepto um, mas, por ser menos evidente, imensamente mais subtil, a ponto de poder perder-se numa visão mais superficial, quero apontar um momento que serve de síntese ao que Hitchccok deu ao cinema e ao que Robert Walker lhe poderia ter dado, não fosse este o seu penúltimo filme: depois do almoço no compartimento de Bruno, logo após a saída de Guy, Bruno faz menção de devolver ao tenista o seu célebre isqueiro com a inscrição “A. to G.”, mas desiste e deita-se no sofá, virado para cima, meditando, e diz: “Crisscross…”. Apenas isto: “Crisscross…”. Vejam e revejam esse momento. Entendam o que ele quer dizer. Mas apreciam como o diz e digam-me se conhecem exemplo de se poder dizer mais com uma palavra do que eles (Walker e Hitchcock) dizem.”  

http://p3.publico.pt/cultura/filmes/5855/o-desconhecido-do-norte-expresso-strangers-train-de-alfred-hitchcock-1951     

FICHA TÉCNICA:  

Título original: Strangers on a Train, EUA, 1951;  

Realização: Alfred Hitchcock;  

Produção: Alfred Hitchcock [não creditado];  

Argumento: Raymond Chandler, Czenzi Ormonde, Ben Hecht [não creditado] [baseado no livro de Patricia Highsmith, adaptado por Whitfield Cook];  

Música: Dimitri Tiomkin;  

Fotografia: Robert Burks [preto e branco];  

Montagem: William H. Ziegler;  Duração: 101 minutos     

FICHA ARTÍSTICA:  

Farley Granger (Guy Haines),  

Ruth Roman (Anne Morton),  

Robert Walker (Bruno Antony),  

Leo G. Carroll (Senador Morton),  

Patricia Hitchcock (Barbara Morton),  

Kasey Rogers [como Laura Elliott] (Miriam Joyce Haines),  

Marion Lorne (Mrs. Antony),  

Jonathan Hale (Mr. Antony),  

Howard St. John (Turley, Capitão da Polícia), 

John Brown (Professor Collins),  

Norma Varden (Mrs. Cunningham),  

Robert Gist (Detective Leslie Hennessey).



Programação     

Ciclo Play It Again   

13 de agosto, “O Desconhecido do Norte-Expresso”, Alfred Hitchcock, EUA, 1951, Sessão 457 (M/12)  

20 de agosto, “Morte em Veneza”, Luchino Visconti, Itália / França , 1971, Sessão 458 (M/18)  

27 de agosto, “The Goat” e “The Blacksmith”, Buster Keaton,  EUA, 1921 e 1922, Sessão 459* (M/6)  

*Cinema Concerto   



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