19 de xul. de 2019

VALENÇA DO MINHO

PATRIMÓNIO

Valença e Almeida interagem quanto a recriações históricas
 
Vista parcial da Fortaleza de Valença do Minho
Foto: Infogauda

ENCONTROS  POLIORCÉTICOS / Valença do Minho    

 Por primeira vez, Grupo de Recriação Histórica de Almeida encena e revive, 210 anos depois, aspetos da 2ª Invasão Francesa ligados à praça de Valença. Palcos como a Coroada, Praça da República, rúas várias e obra externa militar serviram de testemunho para tal evento. 

 Pegada deste Grupo de Recriação almeidense notou-se, apesar do enclave valenciano não ofertar um espaço tão amplo e tão espacialmente condizente como o de Almeida. Presença de 40 figurinos bastou para dar realce sobejo a um recinto lotado de turistas que enchem literalmente as ruas, designadamente para fazer compras. A experiência e profissionalidade dos almeidenses soube dar a volta a isto, estabelecendo pautas de atuação baseadas em anteriores eventos e criando um denominador comum ligado à história e património militar. Estas coisas ainda não se entendem da parte de executivos locais como o guardense, que fazem tábua rasa de tudo e de mais alguma coisa, pondo de parte alianças duradouras entre "Ars Belli", fronteiras e turismo cultural. 

 Fator importantíssimo na história militar são as DATAS. "Sítio de Almeida", por exemplo, refere a chamada "Guerra dos Sete Anos", onde o Conde de Aranda conquista esta praça entre os días 16 e 25 de agosto de 1762. Também não será igual um "Cerco de Almeida" de agosto de 1810 do que um outro "Cerco de Almeida" de maio do ano de 1811. O primeiro confirma uma vitória da França no início da Terceira Invasão francesa; o segundo, o próprio sucesso da fuga francesa na última operação militar destes em solo português. Em Valença, entre 9 e 17 de abril de 1809, durante a Segunda Invasão, a praça capitulou e foi recuperada nesse breve intre temporário. Valença, da mesma  maneira,  uniu-se ao partido liberal em 1828, sendo então sitiada por forças realistas, forçando a sua rendição ao fim de nove días; no entanto, foi reconquistada pelos liberais em 1830 graças ao contributo do almirante inglês Charles Napier. São então fenómenos que guardam um paralelismo  evidente no relativo ao papel que tinham as praças-forte, a estratégia territorial e os avanços e recuos da tropa. Contudo, Valença e Almeida dispõem de traços comuns arquiteturais com sabor francês, da omnipresença bélica e diplomática gaulesa e, todavía,  da interposição britânica nestas guerras peninsulares.    

 Esta feliz iniciativa enquadra-se na candidatura da Fortaleza de Valença a património mundial junto da UNESCO, da mão da nossa ASSOCIATION VAUBAN, que muito  fez por isso anos atrás. 

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