Goryokaku, patrons militares europeus no Japóm
Forte de Goryokaku
José Buiza Badas *
É importante sublinhar a maneira como, aos poucos e poucos, o Japóm absorvia astécnicas militares de construçom baseando-se na velha traça italiana ou nos patrons vaubanianos. O modo edificatório militar nipóm tinha por base a imitaçom de montanhas, moldeadas em planta polos elementos horizontais que, de alguma maneira, chanfravam-na. As grandes torres centralizadoras, altas, dotadas de imponência, substituir-se-iam por planimetrias de muita menor elevaçom nos cintos murários. Cedo o Japóm importava estes esquemas até entranhar no próprio aprendizado umha maneira ocidental de implementar todo o relativo à industria armamentista, relaçons com o primeiro mundo, estratégias no Oceâno Pacífico ou proximidade com o gigante russo. As fortificaçons “à europeia” forom um dos grandes alicerces do Japóm que advía.
O Forte de Goryokaku, sediado na cidade de Hakodate, ao Sul da Ilha de Hokkaido, foi testemunha do acordar de shoguns (chefes locais e regionais) descontentes com um modo de governar quase que feudal, centralizado e imperial, que nom trazia nengúm ar fresco (diga-se ocidental) à rígida forma de mandar num país. Um destes shogunatos, o Tokugawa, estabeleceu a dita República de Ezo, despoletando a Guerra Boshin (1868- 1869), aquando já estava pronto o forte de Goryokaku dous anos antes, visando obviamente colmatar a defesa do sul da Ilha de Hokkaido contra os imperiais. Nomes de memória, como a presidência dessa República afrancesada, com o Presidente Enamoto, eleito por sufrágio universal, imitando aos EE.UU ou os valores de 1789 francês, derom subtantivaçom ademais à componente importantíssima dos hoje conhecidos como “assesores militares”. Com efeito, assessores galos com Jules Brunet à frente, implementarom no mínimo pormenor usos e organigramas bélicos junto de brigadistas japoneses. É importante sublinhar que todos estes factos históricos se prendem com a ideia da crescente adquisiçom de conhecimentos militares provenientes da penetraçom portuguesa no Japóm, bem como da previsível influência dos jesuítas naqueles territórios, visto que nom poucos deles eram engenheiros militares.
Goryokaku constitui a presença do estilo Vauban no Oriente Extremo. Para além da sua planta em estrela, centralizada, lembra-nos fortificaçons holandesas (Naardem, Bourtange,...), outras como Palmanova e muitas mais por todo o mundo espalhadas. Tendo por base a sua regularidade geométrica medimos entóm um polígono Externo Pentagonal de Quilómetro e meio, sendo o seu perímetro real de 1,76 Qm. e possuindo umha superfície de 120.000 m2. Regista apótemas de 195 metros aproximadamente e medianas de entre 448 m., 448 m., 450 m., 453 m. e 454 m. nas suas conseguintes cinco mediçons. O seu polígono Interno Pentagonal é de 725 m. com umha área de 36.000 m2. A visom das muralhas oferece-nos antecortinas pouco longas em angulaçom convexa (Norte: 70 m.; Noreste: 75 m.; Suleste: 75 m.; Suroeste: 76 m. e Noroeste: 70 m.). Acompanham a estas as correspondentes contraguardas exteriores. As cortinas reais ( Norte: 90 m.; Noroeste: 91 m.; Suroeste: 89 m.; Suleste: 91 m. e Noreste: 91 m.) consumam junto dos baluartes regularizados umha planta perfeitamente regular dotada dum só revelim virado para o uroeste. É importante salientar o fosso húmido (com larguras de entre 27 metros, 25 m., 28 m., conforme mediçons cardinais e outras), verdadeiro garante da defesa do lugar. Dispóm de dous acessos, com ponte de 46 metros a salvar as águas no Suroeste, bem como passerelle Norte de 31 metros. A espectacularidade paisagista decorre do facto de ficar sediado com absoluta centralidade, evidenciando umhas diferenças de escalas bem patentes com toda a malha urbana que o rodeia. A engenharia militar internacionalizada atingia a sua maturidade.
(*) Membro da Association Vauban.

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