24 de ago. de 2017

CAMINHA

CINEMA

Boletim da Sessão nº 308 

"A Estrada", de Federico Fellini (1954)

Sexta-feira, 25 de agosto às 21:45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha


Locus Cinemae / Caminha

 Primeiro grande sucesso internacional de Federico Fellini, A Estrada (La Strada, no original) é, igualmente, um dos mais belos filmes jamais feitos e um dos mais pungentes retratos do período neorrealista italiano (juntamente com Ladrões de bicicletas, de Vittorio de Sicca e Roma, cidade aberta, de Roberto Rosselini).
 Ambientado num clima típico de pós-Segunda Guerra Mundial na Itália (casas destruídas, cenário sombrio, pobreza e miséria…), a película foca-se em Gelsomina (Giulieta Masina), uma rapariga pobre que é vendida pela sua mãe ao artista de circo Zampano (interpretado por Anthony Quinn), para ganhar algum dinheiro. Porém, Gelsomina não se consegue adaptar à nova vida, muito menos a Zampano, que a maltrata. Decide, então, fugir, juntando-se a um outro artista, “O Louco”, grande rival de Zampano. Acabam por actuar todos no mesmo circo mas, no fim do mesmo, Gelsomina fica indecisa após o “Louco” afirmar que “talvez Zampano goste dela”.
 Apesar de ter como pano de fundo o ambiente miserável que se constatava um pouco por toda a Itália depois da guerra, o grande tema de A estrada são as relações entre os seres humanos, neste caso de ódio (Zampano e “O Louco”), de amor (Gelsomina e “O Louco”) e de amor/ódio (Gelsomina e Zampano). E, como o filme exalta, muitas vezes os sentimentos de amor e compaixão estão escondidos na parte mais profunda de uma pessoa, como Zampano, quase no fim da obra cinematográfica, mostra.
Nota também para a presença dos três elementos característicos do cinema Felliniano: a Igreja Católica, o mar e o circo, que têm uma grande simbologia e importância para a interpretação da história. É de realçar também o surgimento dos primeiros indícios surrealistas na cinematografia do italiano, que iriam atingir o auge nove anos depois com Fellini 81/2.
 Em conclusão, La Strada é uma obra fenomenal e intemporal e um excelente veículo para a reflexão sobre os sentimentos previamente mencionados. Para muitos (como é o meu caso) a obra-prima de Federico Fellini, de uma beleza dificilmente ultrapassável, A estrada eleva o cinema ao máximo, é daqueles filmes que transmite o melhor que a Sétima Arte tem para oferecer com uma simplicidade inigualável. Numa palavra: genial!


FICHA TÉCNICA:
Título original: “La strada”, Itália, 1954
Realização: Federico Fellini
Produção: Dino De Laurentiis e Carlo Ponti
Argumento: Ennio Flaiano, Tullio Pinelli, Federico Fellini
Música: Nino Rota
Fotografia: Ortello Martelli
Montagem: Leo Cattozzo
Duração: 108 minutos
FICHA ARTÍSTICA:
Giulietta Masina — Gelsomina
Anthony Quinn — Zampanò
Richard Basehart — o louco
Aldo Silvani — senhor Giraffa
Marcella Rovere — a viúva
Livia Venturini — a freirinha

Trailer de "A Estrada" de Federico Fellini

Programação: 
  
Setembro 2017   
Ciclo Cinema Francês 

01 de Setembro, “A Bela e o Monstro”, Jean Cocteau, França, 1946, Sessão 309 (M/12) 
08 de Setembro, “Amor Proibido”, Jean Pierre Melville, França/Itália, 1961, Sessão 310 (M/12) 
15 de Setembro, “Viver a Sua Vida”, Jean-Luc Godard, França, 1962, Sessão 311 (M/18) 
22 de Setembro, “Peregrinação Exemplar”, Robert Bresson, França/Suécia, 1966, Sessão 312 (M/12) 
29 de Setembro “A História de Adèle H”, Francois Truffaut, França, 1975, Sessão 313 (M/12)    

Outubro 2017  
Ciclo Cinema e Saúde Mental em parceria com o Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental da ULSAM   

06 de Outubro, “Psico”, Alfred Hitchcock, EUA, 1960, Sessão 314 (M/12) 
13 de Outubro, “Freud, Além da Alma”, John Huston, EUA, 1962, Sessão 315 (M/12) 20 de Outubro, “Voando Sobre um Ninho de Cucos”, Milos Forman, França, 1975, Sessão 316 (M/16) 
27 de Outubro, “O Inquilino”, Roman Polanski, França, 1976, Sessão 317 (M/16)

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