25 de mar. de 2017

PATRIMONIO

Fortes nas Linhas de Torres Vedras, Malveira

Plano do Forte da Feira, na Vila da Malveira


ENCONTROS  POLIORCETICOS

 Os fortes em torrão, ou esses outros feitos metade alvenaria, metade terra, não são novidade nenhuma na história militar dos povos. Precedentes duma economia sumária do  rente, que atinge a sua máxima expressão nas trincheiras, traduzem quer a imprevisibilidade dos confrontos, quer a ausência de verdadeiros planos militares que ultrapassassem a correlação de forças no cenário. Isto é assim, dado que os inimigos muitas das  vezes transpunham as suas verdadeiras possibilidades no campo de batalha. Vezes sem conta barricavam-se por demais; vezes sem conta, entrincheiravam-se para nada. 


Mapa das Linhas de Torres

 As Linhas de Torres Vedras constituíram-se num ousado plano de contençom do inimigo abase de materiais construtivos fracos (terra e alvenaria, basilarmente) aquando a hipótese certa duma terceira invasão napoleónica que pretendia ocupar Lisboa de vez. Nestas Guerras Peninsulares ratificou-se  a   aliança luso-britânica, toda vez que a França o fazia com Espanha. A façanha consistiu em erguer apartir do mês de Outubro de 1809, no prazo de onze meses, 108 postos ou estruturas defensivas ao longo de mais de 80 quilómetros, dispostas em 4 linhas de frente. O inspirador, para além do Tenente-coronel Richard Fletcher e o Major Jose María das Neves Costa, foi o Duque de Wellington. A peripécia é bem conhecida e não vale a pena tratar extensamente do assunto. 

 Aquilo que surpreende é a leveza dos materiais e a sua autêntica fortaleza na prática. Com planos em estrela ou poligonais, muitos deles irregulares, levantavam-se fortes com meia fatura em alvenaria e a outra em terra. Da mesma maneira, excavavam-se túneis para criar novos espaços de protecção (paióis,..), não faltando os fossos, as traveses ou as canhoneiras.  Tudo feito com economia de recursos, onde não faltava a madeira, fincavam-se no alto de montes e colinas constituindo-se em figuras observadoras e observadas de mútua interacção. Acabaram sendo en número de 152 postos em 1812, entre fortes, redutos, baterias,etc., que, junto de estradas de rectaguarda, comunicações telegráficas e terra queimada ao norte, fizeram possível a contenção do francês. 

Linhas de Torres Vedras

 Malveira (Forte da Feira) é um exemplo acessível, do qual pudemos fazer medição. Temos um elenco de nomes que nunca mais acabam (Sonível, Cabeço do Neto, Juncal, Forca, Montachique, Coutada, Aguieira, Prezinheira, Serra de Chipre, Penedo, Melros, A Entrega, Subserra, da Trinta, da Direita,…, e  muitos mais e em muito diverso estado de conservação). Malveira situa-se numa envolvente urbana que em tempos foi freguesia de Mafra. O forte é planimetricamente um heptágono irregular cujo polígono externo entre fossos perfaz uns 195 metros de comprimento e uma superfície de 2.752 m2 quadrados. O seu perímetro real vai ser de 196 m. de comprimento e o recinto interno cobrirá os 1.442 m2 quadrados. Contém no seu interior, uma vez ultrapassada a entrada do Suroeste, 6 restos de troneira ou bocas de fogo, a entrada a um paiol e finalmente traveses que rodeiam informalmente essa entrada. O Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engenharia Militar (GEAEM) visibiliza esses planos de época lineares, idealizados e um tanto naïfs, mas perfeitamente validos para a identificação dos enclaves.

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