11 de ago. de 2016

CAMINHA

CINEMA

Boletim da Sessão nº 257

 "Sentimento" de Luchino Visconti (1954)

Sexta-feira, 12 de agosto às 21:45 no Teatro Valadares 



AVISO: ESTA SESSÃO SERÁ EXIBIDA NO TEATRO VALADARES 


Locus Cinemae / Caminha


 “(…) Mas o filme-ópera, a ópera feita cinema ou o cinema feito ópera, não é nenhuma das obras citadas. É o Senso de Luchino Visconti (1954). Por isso – sobretudo, por isso -, é um dos filmes da minha vida.  

 Na ópera (Teatro La Fenice, de Veneza) começa o filme, situado na Primavera e no Verão de 1866, durante os últimos meses de ocupação austríaca do Veneto, pouco antes do Risorgimento lá chegar. Estamos no palco e ouve-se e vê-se o final do ato III de Il Trovatore de Verdi.  

 Ainda corre o genérico, quando Leonora e Manrico, na varanda de Castellor, cantam “l’onde de’ suoni mistici”, “gioie di casto amor”, primeiro sinal para as paixões paroxísticas que vão explodir durante o filme. Pouco depois – sempre no genérico – Ruiz vem avisar Manrico de que se preparam para lhe queimar a mãe. Este arranca-se dos braços de Leonora e vem até à boca da cena cantar o celebérrimo “Di quella pira”. Precisamente nesse momento, a câmera, até aí fixa sobre o palco da ópera, acompanha-o no seu movimento e, do ponto de vista dele, descobre-nos o teatro, da platéia à geral, em amplos movimentos concêntricos. São eles que, no fim do ato e coincidindo com os aplausos, conduzem essa representação a outra representação: a manifestação política das galerias contra o ocupante austríaco.  

 Ópera só voltará a aparecer em Senso alguns minutos depois, quando, acalmados os ânimos e presos alguns manifestantes, começa o ato IV. Durante esse intervalo, conhecemos os protagonistas: a condessa Livia Serpieri (Alida Valli) e o seu velho marido (Heinz Moog); o marquês Roberto Ussoni (Massimo Girotti), primo da condessa, seu platônico protegido e chefe dos patriotas italianos (por ele e contra o marido, escolhera a condessa o abraço revolucionário); o jovem e belo tenente Franz Mahler (Farley Granger) que insulta os italianos, se recusa covardemente a aceitar o repto de Ussoni para um duelo e, depois, o denuncia à polícia.  

 Quando começa o ato IV de Il Trovatore, Livia Serpieri chama o tenente ao seu camarote, para o tentar convencer a deixar Roberto em paz. Mas, durante o breve diálogo com o oficial “de quem falavam todas as senhoras de Veneza”, estabeleceu-se entre eles outra espécie de corrente. No palco, lá muito, muito ao fundo, ao pé da torre onde Manrico está preso, Leonora, disfarçada, canta que “In quest’ oscura notte ravvolta / Presso a te son io. E tu nol sai!”. Nem nós, nem os protagonistas do filme lhe damos muita atenção. O primeiro plano já pertence a Livia e Franz. É para nós e para eles que uma “oscura notte ravvolta” vai começar (…).”


FICHA TÉCNICA:
Título original: “Senso”, Itália, 1954
Realização: Luchino Visconti
Produção e distribuição: Lux Film
Argumento: Carlo Alianello, Suso Cecchi d’Amico, Giorgio Bassani, Luchino Visconti, Giorgio Prosperi
Música: Anton Bruckner – Sinfonia No. 7, adaptada por Nino Rota
Fotografia: G.R. Aldo e Robert Krasker
Montagem: Mario Serandrei
Duração: 117 minutos

FICHA ARTÍSTICA:
Alida Valli: Gravin Livia Serpieri
Farley Granger: Tenente Franz Mahler
Massimo Girotti: Marquês Roberto Ussoni
Heinz Moog: Graaf Serpieri
Rina Morelli: Laura
Christian Marquand: Oficial
Sergio Fantoni: Luca
Tino Bianchi: Capitão Meucci
Ernst Nadherny: Comandante
Tonio Selwart: Coronel Kleist
Marcella Mariani: Clara

Trailer de "Sentimento" de Luchino Visconti 



Programação: 

AGOSTO 2016 

Ciclo Grandes Realizadores  

19 de agosto, “O Carteirista”, Robert Bresson, 1959, França, Sessão 258 (M/12)  

26 de agosto, “Os Inadaptados”, John Huston, 1961, EUA, Sessão 259 (M/12)


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