CINEMA
Boletim da Sessão nº 254
"A Idade da Inocência" de Martin Scorsese (1993)
Sexta-feira, 15 de julho às 21:45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha
Locus Cinemae / Caminha
“(…) Nunca Scorsese fora tão clássico, como quando se dedicou à produção de um filme baseado no romance da célebre autora norte-americana da transição do século XIX para o XX, Edith Wharton. Se por um lado Scorsese se mantém fiel à sua Nova Iorque, mas agora cem anos no passado, e na alta sociedade, e mesmo que tenha dito que este era o seu mais violento filme de sempre (se bem que a um nível emocional), “A Idade da Inocência” é um filme que foge aos cânones habituais do realizador.
Havia já muito que Martin Scorsese pensava realizar um romance de época, e fora já em 1980 que o amigo Jay Cocks lhe aconselhara o livro de Wharton como o ideal para ele filmar. Só ao fim de sete anos Scorsese o leu, e aí sim, decidiu-se a filmá-lo, com Cocks como argumentista, e depois de uma ronda pelas majors de Hollywood o deixar com um acordo satisfatório com a Columbia. (…)”
“(…) Com um design elaborado, e um guarda-roupa deslumbrante, Martin Scorsese impressiona no detalhe da reconstrução de uma época e costumes da sua sociedade, no que é ainda servido por uma banda sonora absolutamente brilhante de Elmer Bernstein. O resultado valeu-lhe o Oscar de Melhor Guarda-roupa, e a nomeação para o de Direcção Artística.
Ao lado da atmosfera clássica irrepreensível, que Scorsese filma com uma palette quente de cores, introduz detalhes como a leitura de cartas ser feita por uma imagem do emissor falando directamente para a câmara, e uma contínua e delicada montagem, que nos mostra objectos (uma chave, uma tira de papel, uma flor) que se vão sucedendo como numa colagem de memórias num caderno antigo, que tenta ilustrar um momento. Note-se ainda o uso da íris (cena da segunda ida à ópera), que é tanto visual como sonora, criando um túnel por onde ouvimos Newland e Archer sussurar perante o apagamento de todas as vozes à sua volta. O simbolismo está sempre presente (a ópera, as rosas amarelas, o cortar dos charutos mostrado como acto castrador, a lenha resvalando das lareiras sempre que há um diálogo delicado), e Scorsese não se coíbe de o usar esteticamente, como nos vários fade outs que acontecem numa explosão de cor. (…)”
FICHA TÉCNICA:
Título original: “The Age of Inocence”, 1993, EUA Realização: Martin Scorsese
Produção: Barbara De Fina
Argumento: Jay Cocks e Martin Scorsese, baseado no romance homónimo de Edith Wharton
Narradora: Joanne Woodward
Música: Elmer Bernstein
Fotografia: Michael Ballhaus
Montagem: Thelma Schoonmaker
Distribuição: Columbia Pictures
Duração: 139 minutos
FICHA ARTÍSTICA:
Michelle Pfeiffer…. Ellen Olenska
Winona Ryder…. May Welland
Daniel Day-Lewis…. Newland Archer
Miriam Margolyes…. Sra. Mingott
Alexis Smith…. Louisa van der Luyden
Geraldine Chaplin…. Sra. Welland
Mary Beth Hurt…. Regina Beaufort
Alec McCowen…. Sillerton Jackson
Richard E. Grant…. Larry Lefferts
Robert Sean Leonard…. Ted Archer
Siân Phillips…. Sra. Archer
Jonathan Pryce…. Rivière
Michael Gough…. Henry van der Luyden
Joanne Woodward…. narradora (voz)
Trailer de "A Idade da Inocência" de Martin Scorsese
Programação:
JULHO 2016
Sessão Especial
29 de julho, “O Circo”, Charles Chaplin, 1928, EUA, Sessão 255 (M/6) (Teatro Valadares)
1ª Parte: “Viagem à Lua”, George Méliès, 1902, França. Música ao vivo por Lázaro Pereira
AGOSTO 2016
Ciclo Grandes Realizadores
05 de agosto, “O Destino Bate à Porta”, Tay Garnett, 1946, EUA, Sessão 256 (M/12)
12 de agosto, “Sentimento”, Luchino Visconti, 1954, Itália, Sessão 257 (M/12)
19 de agosto, “O Carteirista”, Robert Bresson, 1959, França, Sessão 258 (M/12)
26 de agosto, “Os Inadaptados”, John Huston, 1961, EUA, Sessão 259 (M/12)




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