14 de xul. de 2016

CAMINHA

CINEMA

Boletim da Sessão nº 254 

"A Idade da Inocência" de Martin Scorsese (1993)

Sexta-feira, 15 de julho às 21:45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha  



Locus Cinemae / Caminha

 (…) Nunca Scorsese fora tão clássico, como quando se dedicou à produção de um filme baseado no romance da célebre autora norte-americana da transição do século XIX para o XX, Edith Wharton. Se por um lado Scorsese se mantém fiel à sua Nova Iorque, mas agora cem anos no passado, e na alta sociedade, e mesmo que tenha dito que este era o seu mais violento filme de sempre (se bem que a um nível emocional), “A Idade da Inocência” é um filme que foge aos cânones habituais do realizador.  

Havia já muito que Martin Scorsese pensava realizar um romance de época, e fora já em 1980 que o amigo Jay Cocks lhe aconselhara o livro de Wharton como o ideal para ele filmar. Só ao fim de sete anos Scorsese o leu, e aí sim, decidiu-se a filmá-lo, com Cocks como argumentista, e depois de uma ronda pelas majors de Hollywood o deixar com um acordo satisfatório com a Columbia. (…)  

(…) Com um design elaborado, e um guarda-roupa deslumbrante, Martin Scorsese impressiona no detalhe da reconstrução de uma época e costumes da sua sociedade, no que é ainda servido por uma banda sonora absolutamente brilhante de Elmer Bernstein. O resultado valeu-lhe o Oscar de Melhor Guarda-roupa, e a nomeação para o de Direcção Artística.  

 Ao lado da atmosfera clássica irrepreensível, que Scorsese filma com uma palette quente de cores, introduz detalhes como a leitura de cartas ser feita por uma imagem do emissor falando directamente para a câmara, e uma contínua e delicada montagem, que nos mostra objectos (uma chave, uma tira de papel, uma flor) que se vão sucedendo como numa colagem de memórias num caderno antigo, que tenta ilustrar um momento. Note-se ainda o uso da íris (cena da segunda ida à ópera), que é tanto visual como sonora, criando um túnel por onde ouvimos Newland e Archer sussurar perante o apagamento de todas as vozes à sua volta. O simbolismo está sempre presente (a ópera, as rosas amarelas, o cortar dos charutos mostrado como acto castrador, a lenha resvalando das lareiras sempre que há um diálogo delicado), e Scorsese não se coíbe de o usar esteticamente, como nos vários fade outs que acontecem numa explosão de cor. (…)     

Fonte.  

FICHA TÉCNICA:  

Título original: “The Age of Inocence”, 1993, EUA Realização: Martin Scorsese  
Produção: Barbara De Fina  
Argumento: Jay Cocks e Martin Scorsese, baseado no romance homónimo de Edith Wharton  
Narradora: Joanne Woodward  
Música: Elmer Bernstein  
Fotografia: Michael Ballhaus  
Montagem: Thelma Schoonmaker  
Distribuição: Columbia Pictures  
Duração: 139 minutos  

FICHA ARTÍSTICA:  

Michelle Pfeiffer…. Ellen Olenska  
Winona Ryder…. May Welland  
Daniel Day-Lewis…. Newland Archer  
Miriam Margolyes…. Sra. Mingott  
Alexis Smith…. Louisa van der Luyden  
Geraldine Chaplin…. Sra. Welland  
Mary Beth Hurt…. Regina Beaufort  
Alec McCowen…. Sillerton Jackson  
Richard E. Grant…. Larry Lefferts  
Robert Sean Leonard…. Ted Archer  
Siân Phillips…. Sra. Archer  
Jonathan Pryce…. Rivière  
Michael Gough…. Henry van der Luyden  
Joanne Woodward…. narradora (voz)   

 Trailer de "A Idade da Inocência" de Martin Scorsese 

Programação:   

JULHO 2016 

Sessão Especial  


29 de julho, “O Circo”, Charles Chaplin, 1928, EUA, Sessão 255 (M/6)  (Teatro Valadares)  
1ª Parte: “Viagem à Lua”, George Méliès, 1902, França. Música ao vivo por  Lázaro Pereira     

AGOSTO 2016 
Ciclo Grandes Realizadores  

05 de agosto,  “O Destino Bate à Porta”, Tay Garnett, 1946, EUA, Sessão 256 (M/12) 

12 de agosto, “Sentimento”, Luchino Visconti, 1954, Itália, Sessão 257 (M/12)  

19 de agosto, “O Carteirista”, Robert Bresson, 1959, França, Sessão 258 (M/12)  

26 de agosto, “Os Inadaptados”, John Huston, 1961, EUA, Sessão 259 (M/12)


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