PATRIMONIO
Planimetria no Castelo de Santa Cruz
José Buiza Badás
A atribulada construçom deste forte oferece certezas e incertezas. Contabilizamos assim até 8 lunetos externos (um outro plano enumera 7 destes, alguns dos quais poderiam ser praças de armas saintes e ainda pudessem dispor de caminho coberto), 4 revelins ou esperontes ( Cividans, Socorro, Sta. Tecla e Vila), 4 baluartes (Sta. Tecla, S. Sebastiám, Cruz e Guia ) e 4 cortinas, duas delas mais longas (Socorro, Cividans, Vila e Sta. Tecla).
O polígono exterior do perímetro murado é claramente trapezoidal, nom romboidal. Um outro polígono interior, o da praça de armas central, fala-nos também dum trapézio. Portanto, temos lados e ângulos desiguais quer nesse polígono maior, quer esse menor. Esta forma e estes prolongamentos impedem tracejar golas e semigolas, de maneira que criam-se da sua vez subtrapezios em todos os bastions. Nom há hipótese de imaginar sequer um losango planimétrico apartir da planta mais exterior, mais extensa, que era estrelada.
As cortinas assim projectadas linearmente determinarom um flanqueio entre caras e os próprios flancos que somente será perpendicular numha das faces do bastióm de S. Sebastiám, no trajeto com um dos flancos do bastióm da Cruz. De resto, ainda que se haja tencionado este fogo flanqueado, aparecem oblicuidades que, certamente, dám extrema importância à obra externa por motivos puramente ligados à defesa. Estes revelins desaparecidos alargavam o espaço para sitiantes e sitiados, compensavam a estreitez espacial do próprio forte e determinavam talvez a possibilidade do entrincheiramento. Um hastam longas cortinas pediam forçosamente fogos alteados e tiros a barbeta, que fossem discrecionais. Tampouco favoreciam muito aos sitiantes a existência de algum padastro de fora de muralhas. Também, referir que os irmans Grunenberg andavam por estas datas destacados na inspeçom e avaliaçom prática de vários fortes galegos. Vindos da frente flamenga, recolhiam amplas experiências dos diversos lugares e escenários bélicos polos que passavam. Outros engenheiros e militares faziam outro tanto, somando conhecimentos à arte ibérica de fortificar, que eventualmente nutria-se também de ensinos provenientes destas frentes: escolas flamenga, italiana e mais tarde a francesa. É notório que os irmans Carlos e Fernando Grunenberg nom deviam ter desenvolvido as liçons do mestre Vauban dado que éste tinha na altura 31 anos de idade, em 1664, aquando foi concluído Sta. Cruz. Isto quer afirmar com contundência que caracterizam-se fortes prevaubanianos e outros bem mais coadunados com modelos franceses. O bastióm ou baluarte institui-se muito antes de aparecer Vauban.
É assim que os planos reais do castelo venhem marcados por angulaçons díspares. Por exemplo, o polígono interno do pátio recolhe graus e 84º, 109º, 67º e 100º nesse trapézio de lados e ângulos desiguais. Igualmente, o baluarte de Sta. Tecla dá 68º; o da Guia, 41º; o da Cruz, 77º e o do S. Sebastiám, 57º.
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