5 de xan. de 2016

A GUARDA

PATRIMONIO

Planimetria no Castelo de Santa Cruz





José Buiza Badás


 A atribulada construçom deste forte oferece certezas e incertezas. Contabilizamos assim até 8 lunetos externos (um outro plano enumera 7 destes, alguns dos quais poderiam ser praças de armas saintes e ainda pudessem dispor de caminho coberto), 4 revelins ou esperontes ( Cividans, Socorro, Sta. Tecla e Vila), 4 baluartes (Sta. Tecla, S. Sebastiám, Cruz e Guia )  e 4 cortinas, duas delas mais longas (Socorro, Cividans, Vila e Sta. Tecla).

 O polígono exterior do perímetro murado é claramente trapezoidal, nom  romboidal. Um outro polígono interior, o da praça de armas central, fala-nos também dum trapézio. Portanto, temos lados e ângulos desiguais quer nesse polígono  maior, quer  esse menor. Esta forma e estes prolongamentos impedem tracejar golas e semigolas, de maneira que criam-se da sua vez subtrapezios em todos os bastions. Nom há hipótese de imaginar sequer um losango planimétrico apartir da planta mais exterior, mais extensa, que era estrelada.

 As cortinas assim projectadas linearmente determinarom um flanqueio entre caras e os próprios flancos que somente será perpendicular numha das faces do bastióm de S. Sebastiám, no trajeto com um dos flancos do bastióm da Cruz. De resto, ainda que se haja tencionado este fogo flanqueado,  aparecem oblicuidades que, certamente, dám extrema importância à obra externa por motivos puramente ligados à defesa. Estes revelins desaparecidos alargavam o espaço para sitiantes e sitiados, compensavam a estreitez espacial do próprio forte e determinavam talvez a possibilidade do entrincheiramento. Um hastam longas cortinas pediam forçosamente fogos alteados e tiros a barbeta, que fossem discrecionais. Tampouco favoreciam muito aos sitiantes a existência de algum padastro de fora de  muralhas. Também, referir que os irmans Grunenberg  andavam  por  estas  datas  destacados  na  inspeçom  e  avaliaçom  prática  de  vários  fortes  galegos.  Vindos  da  frente  flamenga,   recolhiam   amplas  experiências   dos   diversos  lugares  e  escenários  bélicos  polos  que  passavam.  Outros  engenheiros  e  militares  faziam  outro  tanto,  somando  conhecimentos  à  arte  ibérica  de  fortificar,  que  eventualmente  nutria-se   também de  ensinos  provenientes  destas  frentes:  escolas  flamenga,  italiana  e  mais  tarde  a  francesa.  É  notório  que  os  irmans Carlos  e  Fernando Grunenberg nom deviam ter desenvolvido as liçons do mestre Vauban dado que éste tinha na altura 31 anos de  idade, em 1664, aquando foi concluído Sta. Cruz. Isto quer afirmar com contundência que caracterizam-se fortes prevaubanianos e outros bem mais coadunados com modelos franceses. O bastióm ou baluarte institui-se muito antes de aparecer Vauban.

 É assim que os planos reais do castelo venhem marcados por angulaçons díspares.  Por exemplo, o polígono interno do pátio recolhe graus  e 84º, 109º, 67º e 100º nesse trapézio de lados e ângulos desiguais. Igualmente, o baluarte  de Sta. Tecla dá 68º; o da  Guia,  41º; o da Cruz, 77º e  o do  S. Sebastiám, 57º.

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