9 de maio de 2010

LISBOA

Os caminhos de Jorge Barbi
41º 52’ 59’’ latitude N / 8º 51’ 12’’ longitude O

7 de Maio a 11 de Julho CAM – Nave e Piso 1

Jorge Barbi, Espumas, 2007, Fotografia, 87 x 125 cm

Newsletter / Lisboa
Jorge Barbi é um artista com uma trajectória singular, não só pela sua prática criativa, inicialmente centrada na escultura e, mais tarde, alargada à fotografia, como também pela sua independência relativamente às regras do mercado e ao sistema artístico em geral.
A exposição 41º 52’ 59’’ latitude N / 8º 51’ 12’’ longitude O, que o CAM vai inaugurar no dia 6 de Maio, será a sua primeira apresentação em Portugal e resulta de uma parceria com o MARCO – Museu de Arte Contemporânea de Vigo.
O título da mostra refere-se às coordenadas geográficas que o artista galego percorre nos seus trajectos diários e que tem constituído uma fonte inesgotável de inspiração para o seu trabalho. Desde o início dos anos 80, Jorge Barbi adopta o passeio, a viagem, como método de trabalho para a observação de uma geografia que conhece bem e de onde extrai um grande reportório de detritos e acidentes, de modo a obter uma cartografia exaustiva da paisagem e dos elementos em mutação que a constituem. O exercício do passeio e a observação quotidiana de animais, pedras, algas, plantas, excrementos, troncos de madeira e também outros objectos de natureza inorgânica, converteram Jorge Barbi numa espécie de cientista que regista minuciosamente as transformações dos elementos que, mais tarde, a partir de um processo lento e meticuloso, se convertem em fragmentos poéticos e enigmáticos.
O ponto de partida desta exposição, que esteve recentemente em exibição no Museu de Arte Contemporânea de Vigo, é uma série de fotografias realizadas nos últimos anos, a que se juntam uma selecção de peças anteriores e novas produções específicas. O comissário, Juan de Nieves, evitou uma apresentação cronológica das obras, estabelecendo novas pistas de leitura, através de uma montagem
que combina estruturas arquitectónicas, iluminação e recursos visuais, de modo a destacar as relações entre os vários núcleos, num diálogo contínuo de obras anteriores com trabalhos mais recentes, resultando num interessante jogo de tensões e equilíbrios.
A exposição tem o apoio da Sociedad Estatal para la Acción Cultural Exterior de España, SEACEX, e da Embaixada de Espanha em Portugal.

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