PATRIMONIO
Um quadríptico dobrado em janela que oculta algumas verdades
ENCONTROS POLIORCÉTICOS
Com autoria de Javier Crespo González, esta "melange" em segunda mão refere eventos sobejamente conhecidos, repetidos até o fastío, que revelam um propositado nível baixo de autoexigência, conferido na inexistência real de interpretação, de qualquer interpretação das fortalezas minhotas. Razões varias podem acorrer a este suposto, sendo certamente uma delas a mais compreensível: falta de verbas decorrente duma péssima planificação, bem como ausência de um projeto de gestão que arquiteturasse com verdade essa interpretação. Para além disso, a Rede de Museus constitui um despropósito atribuível a uma vontade centralizadora que condena à poliorcética a um posto subserviente. Eles sabem-no.
As componentes físicas, estruturais, do Castelo são omitidas, postas de parte. Recolhem-se frases infelizes como estas que se seguem: " (...) baluartes que rompen con los trazos rectilíneos de las murallas medievales (...)". Vamos lá ver, se alguma coisa se ganha com os baluartes é justamente espaço e projeção linear, seja qual for a morfologia do velho castelo medieval; neste caso inexistente, ao que parece. A linearidade cinge-se ao flanquear de fogos e à ruptura do bastião curvo. A exigência geométrica acompanha as mais das vezes à obra, inclusivemente na obra externa em torrão. Aliás, nada se diz da correlação Bastião/Revelim, ou dos Atelhanamentos, ou da Campanha e Glacis, ou dessa inmensa envolvente ganha ao inimigo que permite a ocultação das fortalezas. Nada se fala dos paramentos abaixados, das inclinações, das angulações.
O caso de Santa Cruz é, no entanto, paradigmático. Com o passar do tempo, destruiram-se contraguardas, revelins e lunetos, sendo imprescindiveis para entender a defesa desta fortaleza e evidenciando-se também as dificuldades que suscitava a substrução, o tracejamento errado das cortinas mais longas e, repare-se, as propias diferenças de nível (que justificavam sem mais uma obra corna do lado que olha para o porto).
A verdadeira validez da defesa de Santa Cruz estava nos seus parapeitos fuzileiros em pedra, na obra externa; hoje violentada com o arranque de tocões e raízes, hoje alterada por castinheiras que lá nada fazem.
Enfim, o texto desse quadríptico não traz novidades (o pano de fundo é esse, não querer aprofundar nas componentes poliorcéticas). Fundamenta-se tudo na ação dirigista, calendarizada, com uma caótica aplicação de escassas verbas e uns "timings" descambados que tiraram qualquer credibilidade a um Centro Interpretativo que nada interpreta. Sr. Crespo, faça cedência das suas responsabilidades e demita.

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