PATRIMONIO
Reduto de S. Carlos de Sanabria, uma construção singular
Reduto de S. Carlos de Sanabria
ENCONTROS POLIORCETICOS
Com coordenadas N 42º 3’ 1.7532’’ e W 6º 38’ 1.7952’’, este reduto militar de complemento, para a defesa de Puebla de Sanabria, sempre esteve marcado pela polémica. Situado ao sul desta vila samorana, entre a Estrada da Estação e a Rua Riverica, acede-se desde a Praça de Fuente Vieja por uma escada e posterior sendeiro que conduzir-nos-á ao primeiro fosso, logo após termos caminhado uns 140 metros. Dados também exactos falam-nos da proximidade de um Polidesportivo a 50 m. de distância e uma outra maior, a 165 m. da povoação velha sul e as muralhas bastionadas.
Formava parte dum imaginário subsistema transfronteiriço com Bragança, praça também abaluartada e naquela época ainda bem longínqua (vejam o Forte de São João de Deus) e afirmava-se como enclave defensivo sul da Puebla de duvidosa eficácia, visto que o Castelo dos Condes de Benavente erguia-se a 937 metros sobre o nível do mar, superando em dez metros à altimetria própria (927 m.). Acontece, enfim, que conforme vamos para Ungilde, por exemplo, a altitude aumenta, prejudicando com clareza qualquer valorização defensiva de S. Carlos (936 m. - 943 m.s.n.m.). Este pequeno forte manifesta as suas singularidades por acreditarmos estar en cima dum padrastro, quando não devia ser assim, dado que neste caso aproveita-se um alto, uma colina topográfica para lá remodelar propositadamente o próprio terreno nas saliências mais extremas da planta militar. Ademais, os padrastros tinham uma função de ataque ou de esconderijo. Lá pertinho, temos um caso semelhante em Alcañices, onde não foi possível, não foi realizável um enclave para a defesa, devido justamente ao caracter depressivo do povoado em relação a uma envolvente de maior elevação.
S. Carlos de Sanabria oferece uma área externa total de 3.503 m2 quadrados, bem como uma área restrita menor de 754 m2 quadrados. É construído no ano de 1706 com base num Reduto interno de 4 baluartes e 4 cortinas assim como edificado interior -casa-quartel, parapeito, 2 estruturas centrais condizentes e antefosso para o seu perímetro de 130 m. de comprimento -. Para além disso, possuía um Contorno complementar de 2 baluartes e 3 cortinas externas que já insinuam um Polígono Externo Rectangular. Este assento construtivo dispunha então uma dupla defesa decorrente provavelmente de trabalhos de acondicionamento prévio dum novo embasamento.
A atuação arqueológica de 2005-2006, bem acompanhada pela Fundação do Património de Castela e Leão, definiu este posto como forte de defesa externa e interna onde foram detetados materiais basilares de natureza xistosa e aparelho de alvenaria irregular, com empilhamento laminar das peças. Também, acharam-se telhas de cobrição e taipado. No momento presente, no dia 11 de Dezembro de 2016, aquando foi feito este pequeno trabalho de campo, registou-se o regresso da mata permanente, em forma de densa e alta retama ou escova, que impossibilitava a visão de conjunto. No entanto, os fossos eram detetáveis, embora a deformidade visual fosse uma realidade junto do paralelo abandono. O problema está na deficiente qualificação patrimonial que recebem estes pontos militares, a meio caminho entre o torróm e a alvanelaria primária. Daí a atitude de muitas pessoas, ligadas ás responsabilidades públicas, que não conseguem perceber que uma Fortaleza e um destes fortins são parte consubstancial, combinada, de quaisquer aplicações poliorcéticas em qualquer conflito bélico.
R. P. I.



Ningún comentario:
Publicar un comentario