Morfologias e bases geométricas das fortificaçons abaluartadas
Forte de San Marcos, na Florida
José Buiza Badás
Criar apartir dum círculo formas poligonais será um bom ponto de partida para a iniciaçom ao estudo da estrutura bastionada. Também, estudar a conveniência topográfica relativamente à sua implementaçom geométrica (redutos, hornaveques, obra externa o cintos murários nas vilas ). Da mesma maneira, reparar se a obra corresponderá ou nom a planos centralizados regulares ou irregulares (triangular, redondo, quadrado, pentagonal, hexagonal, heptagonal, octogonal, etc..) ou conferirmos se as ditas morfologías e plantas respondem a perfís trapezoidais, trapézios ou paralelogramos. (Hei de sublinhar que a Torre Velha de Caparica tem umha geometrizaçom trapézio isósceles, diferente do polígono externo e interno trapezoidal de Sta. Cruz. Isto é ponto assente).
Vamos referir alguns exemplos de planos centralizados regulares e irregulares. Ao primeiro grupo pertence a fortaleza de Saint Martín de Ré, na ilha do mesmo nome, a registar um polígono externo quadrangular de 275 metros, um cruzamento de diagonais exacto de 390 m. x 390 m. e ainda umha regularidade impressionante no cruze de revelins de 433 m. x 433 m.. Ainda, as bissetrizes dos seus 4 baluartes, de 73 m., apresentam umha excelente congruência.
Em Pula, Croacia, temos um forte com polígono externo quadrangular e regular de 95 metros por lado, um cruzamento de diagonais que testemunha medidas similares de 130 m., umhas cortinas de igual comprimento, 36 metros, bem como bissetrizes dos ângulos flanqueados dos baluartes de 30 m. e boa congruência. A este grupo pertence umha generalidade de construçons militares muito numerosa e espalhada por todo o mundo mercê da chamada Traça Italiana.
O exemplo do Forte de San Marcos, na Florida, obedece também ao plano centralizado de 4 pontas, quadrangular, onde no entanto, descobrimos um polígono externo que difere da mediçom geral (89 m.) em mais de 5 metros (entre o baluarte Suroeste e o baluarte Noroeste da-nos 95 metros). Mesmo assim, a centralidade mantem-se.
Já referindo-nos a planos centralizados de mais de quatro lados, temos o exemplo, entre muitos outros, do Forte de San Diego, em Acapulco. Tem formato pentagonal regular, angulaçons e bissetrizes também regulares nos seus bastions, fossos secos e posicionamento espacial apreciável na sua envolvente. Um outro exemplo, o do Fort Bourtange, em Groningen, mostra-nos com fartura a capacidade dos holandeses para criar defesas baseadas em fossos cheios a toda a volta e planimetrías bem calculadas.
Passamos assim a descrever aqueles recintos nom submetidos à regularidade, ainda que revelem algumha centralidade. Forte de S. Miguel em Chuy, Uruguay: Dispom um polígono externo trapezoidal de 250 m., 4 baluartes, cortinas todas desiguais em comprimento, bem como um polígono interno de 98 m. a revelar o mesmo. Porém, apresenta um bom cruzamento de linhas diagonais ou umhas bissetrizes com parecidos comprimentos nos baluartes, apesar destas terem golas desiguais.
Um outro exemplo, com modelo pentagonal irregular, está no forte uruguaio de Sta. Teresa, na cidade de Rocha e num espaço disputado históricamente por portugueses e espanhóis. O baluarte maior olha para o Brasil, distando o forte 28 quilómetros da fronteira. Tem polígono externo de 600 m. de comprimento e polígono interno de 218 m. a responderem como planos pentagonais irregulares. Ainda assim, cabe fazer algumha tentativa de simetrizaçom apartir do tracejado dum eixo desde o bastióm maior noreste até o seu oposto.
R.P.I.

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