CINEMA
Boletim da Sessão nº227 - "O Marinheiro de Água Doce" de Charles Reisner (1928)
08 de janeiro, às 21H45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha
Locus Cinemae / Caminha
“O Marinheiro de Água Doce” foi a décima primeira longa-metragem de Buster Keaton, e a sua última para a United Artists. Produzido pela sua companhia, Buster Keaton Productions, e sob supervisão de Joseph M. Schenck, o filme teve a realização de Charles Reisner, que começara na Keystone de Mack Sennett, e trabalhara na equipa de Chaplin.
Desta vez Keaton interpreta Willie, um menino da cidade que vem para o Mississipi para conhecer o pai (Ernest Torrence), que não vê desde bebé, e ajudá-lo a pilotar um vapor no Mississipi, agora que a concorrência do magnata J. J. King (Tom McGuire) ameaça arruinar-lhe o negócio. Só que perante os modos delicados e ineptos de Willie, o seu pai, homem rude, de acção, sente-se decepcionado. Ainda mais quando Willie e Kitty (Marion Byron), a filha de J. J. King, parecem iniciar uma relação romântica.
Mal recebido aquando da sua estreia, “O Marinheiro de Água Doce” talvez não esteja à altura dos melhores filmes de Keaton, com um arranque lento, e um enredo previsível, que leva a constantes quedas aparatosas de todo o elenco no rio, e murros inusitados, um pouco a fazer lembrar o que de mais cliché existia no burlesco da década anterior.
Depois de uma série de peripécias que envolvem a chegada de Steamboat Bill, Jr., as suas escapadelas para se reunir com a namorada, e a tentativa frustrada de tirar o pai da prisão, o filme finalmente levanta voo (quase literalmente), quando um enorme furacão atinge a pequena cidade. Então Keaton tem todo o tempo e cenário para exercitar a sua destreza física, em números perfeitamente alucinados, de cabal originalidade e perigo. Preso por cabos (que o puxam para simular o efeito do vento), Keaton voa e cai pelas ruas, caminha contra o vento, refugia-se de edifícios em queda, leva com todo o tipo de objectos em cima, e vai parar nos locais menos apropriados. São desta sequência algumas das suas cenas mais arrojadas (de relembrar que Keaton não usava duplos nem truques de câmara), incluindo aquela em que toda uma fachada real lhe cai em cima, ficando Keaton no espaço que corresponde a uma janela aberta, uma das cenas mais imitadas do cinema.
Como habitual em Keaton, o filme tem a virtude de ser filmado principalmente em cenários naturais (ruas, barco, rio), construções grandiosas, e elaborados efeitos que levam à destruição de quase tudo o que se vai vendo durante o filme. Numa altura em que Keaton começava a perder a liberdade criativa (o que foi acentuado com o seu contrato com a MGM ainda no mesmo ano), e em que o cinema sonoro era a novidade, o autor debatia-se ainda com problemas financeiros, e pessoais (abuso do álcool, litígios em tribunal), que pareciam precipitar o fim do seu período áureo.
Note-se o simbolismo da cena na chapelaria, em que o pai de Willie lhe tenta encontrar um chapéu mais apropriado, e muitos são tentados em vão. Por um momento chega a ver-se o tradicional chapéu usado por Keaton em tantos filmes, que o seu personagem logo rejeita assustado, mesmo sem o experimentar. Era sinal de que os tempos estavam mesmo a mudar.
Trailer de "O Marinheiro de Àgua Doce" de Charles Reisner
Programação:
JANEIRO 2016
Ciclo COMÉDIA
15 de janeiro, “Os Grandes Aldrabões”, Leo McCarey, 1933, EUA, Sessão 228 (M/12)
22 de janeiro, “Sua Excelência”, Miguel M. Delgado, 1967, México, Sessão 229 (M/12)
29 de janeiro, “O Grande Lebowski”, Joel Coen e Ethan Coen, 1998, EUA, Sessão 230 (M/12)
FEVEREIRO 2016
Ciclo CINEMA FRANCÊS
04 de fevereiro, “O Atalante”, Jean Vigo, 1934, França, Sessão 231 (M/12)
11 de fevereiro, “O Processo de Joana d’Arc”, Robert Bresson, 1962, França, Sessão 232 (M/12)
18 de fevereiro, “Paris já está a arder? “, René Clément, 1966, França, Sessão 233 (M/12)
25 de fevereiro, “Made in USA”, Jean-Luc Godard, 1966, França, Sessão 234 (M/12)

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