5 de nov. de 2026

CAMINHA

CINEMA

Boletim da Sessão nº 707 - “Relíquia Macabra” de John Huston 

Sexta-feira, 06 de novembro às 21:45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha

ATENÇÃO: Lotação Limitada.Entrada Gratuita.




Locus Cinemae/Caminha

 “Relíquia Macabra” (“The Maltese Falcon”), de John Huston (1941) Clássico entre os clássicos policiais negros, mais clássico ainda do que “Pagos a Dobrar”, que foi feito três anos mais tarde, é este “Relíquia Macabra”, realizado por John Huston com argumento seu, escrito a partir do também clássico romance policial “The Maltese Falcon”, de um dos mais clássicos escritores do género, Dashiell Hamett.  

 Sam Spade, o detective que Hammett criou (assim como Nick e Nora Charles, da série de livros e longas-metragens “The Thin Man”), teve em Philip Marlowe, criação de Raymond Chandler (co-argumentista de “Pagos a Dobrar”), o seu rival mais competente (a comparação mais acertada seria entre os dois escritores) e Humphrey Bogart interpretou ambos. O que nos dá o pretexto de o vermos brevemente a encarnar Marlowe.  

 Mas voltemos a “Relíquia Macabra”, muito interessante a vários títulos, incluindo o de mostrar um Humphrey Bogart para além de “Casablanca” (neste caso, um ano antes), título a que o actor ficaria para sempre associado, mas ao qual nunca deveria ser reduzido, tal como o não deveria ser em relação ao detective Philip Marlowe.  

 Mas o primeiro motivo de interesse é o ser um filme negro de John Huston. É nesse ambiente que todas as outras peças encaixam: argumento, personagens, actores. Comparativamente, pode dizer-se que o argumento nem sequer é muito importante, já que o não ser capaz de o compreender completamente (como acontece, por exemplo, aquando de longas explicações sobre o que se passou que não vimos) não impede a fruição dos fascínios que aquele ambiente contém: um detective que sabe sair de situações difíceis, mesmo que incompreensíveis para o próprio, um jogo de gatos e ratos com repentinas trocas de papéis, uma busca por um objecto misterioso tão poderoso que faz todos serem tal como são, o famoso objecto “feito do material de que os sonhos são feitos”.  

 Vejamos “Key Largo” ou “The Asphalt Jungle”, do mesmo realizador, para percebermos o alcance do conceito de “ambiente” a que nos referimos aqui e para confirmarmos o outro grande elemento de sucesso: a caracterização das personagens e a consequente escolha dos actores que os figuram.  Harmonizando-se com Bogart no interminável desfile de voltas e reviravoltas, temos Peter Lorre, de cabelo frisado, guarda-chuva de cabo em ângulo recto, cartões-de-visita perfumados, falinhas mansas e pistola de mulher (o que, para 1941, não deve suscitar dúvidas quanto ao que se queria representar), no papel de Joel Cairo (a que Jon Anderson e Vangelis prestaram homenagem em 1981, lançando o álbum “The Friens of Mr. Cairo); Sidney Greenstreet, tão cavalheiresco como perigoso, astuto, formal no vestuário (polainas, casaca, roupão de lapelas de seda) e no discurso, mas franco admirador do carácter imprevisível do seu adversário Sam Spade, que muito o diverte (“By Gad, sir, you’re a chap worth knowing. An amazing character!”, no papel de Kasper Gutman; Mary Astor, num papel tão contrário ao que vimos desempenhar em “Dodsworth” que se torna numa prova eloquente da arte de se transfigurar: ali, como Mrs. Edith Cortright, convidativa e salvadora; aqui, como Brigid O’Shaughnessy, falsa e traiçoeira. Tudo somado, um clássico feito do material com que os sonhos eram feitos, mas já não…  

http://p3.publico.pt/cultura/filmes/2042/reliquia-macabra-maltese-falcon-de-john-huston  

FICHA TÉCNICA:  

Título original: The Maltese Falcon, EUA, 1941  

Realização: John Huston

Produtor Executivo: Hal B. Wallis  

Produtor Associado: Henry Blanke  

Argumento: John Huston [baseado no livro de Dashiell Hammett]

Fotografia: Arthur Edeson (preto e branco);  

Montagem: Thomas Richards  

Direcção Artística: Robert M. Haas  Guarda-roupa: Orry-Kelly  

Caracterização: Perc Westmore

Música: Adolph Deutsch  

Direcção Musical: Leo F. Forbstein.  

Duração: 101 minutos  

FICHA ARTÍSTICA:  

Humphrey Bogart (Sam Spade)

Mary Astor (Brigid O’Shaughnessy)

Gladys George (Iva Archer)

Peter Lorre (Joel Cairo)

Barton MacLane (Detective Dundy)

Lee Patrick (Effie Perrine)

Sydney Greenstreet (Kasper Gutman)

Ward Bond (Detective Tom Polhaus)

Jerome Cowan (Miles Archer)

Elisha Cook, Jr. (Wilmer Cook)

James Burke (Luke)

Murray Alper (Frank Richman)

John Hamilton (Bryan).




Programação      

Ciclo Film-Noir   

06 de novembro, “Relíquia Macabra”, John Huston, EUA, 1941, Sessão 707 (M/12)  

Local:Auditório do Museu Municipal de Caminha  

13 de novembro, “Pagos a Dobrar”, Billy Wilder, EUA , 1944, Sessão 708 (M/12)  

Local: Teatro Valadares     

Ciclo Commedia all’Italiana   

20 de novembro, “Casanova 70”, Mario Monicelli, Itália /França, 1965, Sessão 709 (M/12)  

Local: Teatro Valadares  

27 de novembro, “Ontem, Hoje e Amanhã”, Vittorio De Sica, Itália /França , 1963, Sessão 710 (M/12)  

Local: Auditório do Museu Municipal de Caminha   




Da sessão anterior:


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