4 de abr. de 2018

PORTUGAL

PATRIMONIO

Atalaia de Vimioso (Bragança)    




ENCONTROS  POLIORCÉTICOS / Bragança (Portugal)

 Nas terras do Planalto Nordestino encontram-se vestígios duma poliorcética elemental baseada na orientação e nos postos de observação. As atalaias não são novidade na tratadística militar e supõem uma aportacão fundamental nas estrategias territoriais (veja-se, por exemplo, a triangularização). Vimioso é, por enquanto, a unidade mais visível e melhor conservada daquele âmbitos, prendendo-se do facto de poder estar ligada a época moderna (pela sua planta circular, pelo aparelho e pelo alambor ou talude). Estas terras fronteiriças ainda não foram  bem pesquisadas, oferecendo à partida uma toponimia promissória em tudo quanto é sítio. Próximas estão as atalaias de Candaira e Cabeço de Outeiro, já medievais. 
   

 O noreste trasmontano regista zonas de vazío relativamente à pesquisa castelológica, podendo ser colmatadas com estudos mais apurados. As referências a postos militares contam-se por dezenas: em Portugal vocábulos como Castelo, Facho, Terras do Castelo, Picão do Castelo, Urreta da Guerra, etc., sempre nas proximidades do Douro raiano; em Espanha, Fortín, Atalaya, Centinela, Castiello, Caseta de Carabineros, Torrica del Castiello, La Garita, Cruz del Castillo, El Fuerte, Cuartel Tres Marras, na margem castelhana ou em terras de Alcañices. Perfilam-se diferentes cronologias e a comprovada utilização desses postos. O acesso a Torregamones, o Fuerte de los Franceses, foi-nos vetado (tempo haverá…).    

 Com latitude 41,587290 e longitude -6,522931 a Atalaia de Vimioso obteve a categoría de Imóvel de Interesse Público (IPP) já lá vão 62 anos, ficando registadas duas intervenções recuperadoras de importância nos anos de 1984 e 2006. Num cabeço de 755 metros ergue-se uma original obra, assente numa rocha de quartzo branco que implica com a construção toda, dado que o paramento ataludado entranha-se no afloramento basal. O jogo de equilibrios produz, segundo as nossas medições, um paramento de 13 metros de comprimento em curva e com talud, abase de fiadas de pedra miúda que anda misturada com peças xistosas horizontalistas. O resultado final é compacto e homogéneo, possibilitando dicas em quanto à ėpoca mas complicando ainda mais a polêmica existente. O talud e o aparelho querem indiciar uma construção militar moderna, muito embora a feitura seja bem característica da arquitetura popular daquelas bandas (ou de Zamora). 


 A também chamada Torre da Atalaia tem quase 9 metros de diámetro, um radio externo de 7 metros e um  interno de 4,40 metros. Se incluirmos o segmento circular correspondente ao parapeito a superfície obtida será de 60,82 m2. Ora bem, se respeitassemos o que sería  a área externa tracejada pelo talude ir-se-íam atingir os quase 154 m2. As duas componentes deste posto, a rocha-mãe e o talude, fazem simbiose. Mais duas medições colmatam a análise quanto aos perímetros: o interno, com mais de 28 metros; o externo, com quase 44  metros.

R.P.I.

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