CINEMA
Boletim da Sessão nº 261
"Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha (1964)
Sexta-feira, 09 de setembro às 21:45 no Auditório do Museu Municipal de Caminha
Locus Cinemae / Caminha
“Deus e o Diabo na Terra do Sol foi realizado em meio à convulsão política do país, de 1963 para 64, e estreou em três cinemas do Rio de Janeiro há 50 anos, no dia 10 de julho de 1964. Suas primeiras sessões privadas, realizadas nos meses anteriores, já haviam provocado assombro nos felizes convidados de seu jovem diretor, Glauber Rocha (então com 25 anos), de acordo com descrições posteriores como aquela que o jornalista Nelson Motta entrega na sua muito contestada biografia A Primavera do Dragão (Objetiva, 2011). Desde a entrada em cartaz, elogios rasgados e até comparações arriscadas se sucederam, primeiro nos jornais, depois na Academia.
“É um grande filme, cruel, muitas vezes desconcertante, mas irresistivelmente belo e envolvente”, escreveu Ely Azeredo na Tribuna da Imprensa (em texto reproduzido em seu livro Olhar Crítico, editado pelo Instituto Moreira Salles em 2010). “É provável que, sem ser o maior longa já feito neste planeta, como querem alguns exagerados, deixe muito para trás a quase obra-prima de Nelson Pereira dos Santos”, continuou, citando Vidas Secas, lançado em 1963 e com o qual Deus e o Diabo e mais Os Fuzis (de Ruy Guerra, 1964) compõem a trilogia sertaneja que constitui a essência e a excelência do Cinema Novo brasileiro.
Na Idade da Pressa, cinco décadas são mais do que suficientes para esquecimentos, injustiças e, paradoxalmente, leituras apressadas. Ainda mais em se tratando do “chato” do Glauber, como definiu recentemente um piadista. Logo Glauber, o homem que, ainda garoto, promovera uma impressionante revisão crítica da cinematografia nacional, tornara-se o nosso principal cineasta e uma figura central da cultura brasileira do século 20. Deus e o Diabo é seu filme mais importante – vamos definir assim, porque, ao menos para mim, é difícil afirmar que algum longa seja “melhor” do que Terra em Transe, que o cineasta lançaria em 1967, ou seja, aos 28 anos de idade.” (…)
FICHA TÉCNICA:
Título original: “Deus e o diabo na terra do sol”, Brasil, 1964
Realização: Glauber Rocha
Argumento: Glauber Rocha, Walter Lima Jr.
Produção: Luiz Augusto Mendes, Luiz Paulino dos Santos
Fotografia: Waldemar Lima
Montagem: Rafael Valverde
Banda sonora: Glauber Rocha, Sérgio Ricardo
Duração: 115 min.
FICHA ARTÍSTICA:
Geraldo Del Rey …. Manoel
Othon Bastos …. Corisco
Maurício do Valle …. António das Mortes Yoná Magalhães …. Rosa
Lidio Silva …. Sebastião
Sonia dos Humildes …. Dadá
João Gama …. padre
Antonio Pinto …. coronel
Milton Rosa ….Moraes
Trailer de "Deus e o Diabo na Terra do Sol" de Glauber Rocha
Programação:
SETEMBRO 2016
Ciclo Outras Cinematografias
16 de Setembro, “A Festa de Babette”, Gabriel Axel, Dinamarca, 1987, Sessão 262 (M/12)
23 de Setembro, “A Arca Russa”, Aleksandr Sokurov, Rússia, 2002, Sessão 263 (M/12)
30 de Setembro, “Caramel”, Nadine Labaki, Líbano, 2007, Sessão 264 (M/12)

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