25 de xuño de 2026

CULTURA

O LIBRO “ARREDOR DO FERRUXO” FOI PRESENTADO EN VILAR DE MOUROS




Manuel Vázquez de la Cruz

 O libro “ARREDOR DO FERRUXO” foi presentado en Vilar de Mouros, ocasión na que o xornalista Fernando Salgado Varela, leu o seguinte texto:

CARTA DE AMOR AO PORTUGAL 

 Caminhámos em silêncio entre as ruínas de Sanfins de Friestas, imaginando a vida de outrora naquela grandiosa construção monástica de Valença do Minho. Em Caminha deparámo-nos com a primeira página do jornal Público, ocupada pela figura de Alexander Soljenitsin, um dia após o seu falecimento. Paredes de Coura é o destino para onde a nossa filha e os seus amigos nos levam todos os verões, sendo nós os seus sortudos motoristas, pois há quinze anos que não faltam ao encontro com a música e o rio. 

 Admiramos a capacidade dos habitantes de Vila Nova de Cerveira de transformar a arte num modo de vida, talvez o mais belo de todos. Visitámos o museu do cinema de Melgaço e a muralha de Monção, um baluarte defensivo que a paz nos faz hoje ver com outros olhos. Atravessámos o rio Lima pelo majestoso ponte que caracteriza Ponte de Lima, uma cidade que transmite serenidade, e não perdemos a memória. 

 Em Viana do Castelo chama-nos poderosamente a atenção outra ponte, esta com ares franceses, metálica e ferroviária. A doçura e a textura fofa do bolinhol e os balneários transportaram-nos até às Caldas de Vizela, e Guimarães cativa-nos com a sua monumentalidade colorida; as suas praças, que convidam a conversar e a ouvir, e as suas varandas. Chegámos a Castro Laboreiro num meio-dia de neve e frio e observámos de todos os ângulos os hórreos de Soage e Lindoso, dois locais onde as vacas pastam à vontade. 

 Arcos de Valdevez é uma cidade que se reflete em o rio, cuja arquitetura parece ter sido traçada pela água, para a qual parece inclinar-se a cosmopolita e vibrante cidade do Porto, cuja ponte sobre o Douro atravessámos para visitar Vila Nova de Gaia com o seu imenso parque natural, ali onde o rio se transforma em mar após percorrer 897 quilómetros.

 Os azulejos que retratam a vida árdua dos marinheiros da Póvoa de Varzim, o aqueduto de Vila do Conde, o funicular movido pela força da água que nos leva até ao santuário do Bom Jesus de Braga, os Passadisos do rio Paiva em Arouca, o centro histórico de Coimbra e as escadarias que conduzem à Universidade. 

 Piódão, branco e azul, que nos espera no fim da estrada. Óbidos, onde ocorreu o milagre e uma igreja se transformou numa livraria. Óbidos amuralhada e berço da Revolução dos Cravos. Lisboa, cinéfila e literária, com José Saramago sempre presente, a bússola nestes tempos sombrios. Sintra é um conto de fadas, com os seus castelos variados e a sua vegetação exuberante. Também visitámos Tavira, medieval, fenícia e árabe, e Faro, marítima e labiríntica.

 As levadas da Madeira falaram-nos do imenso sacrifício realizado por milhares de seres humanos para levar a água até às suas culturas e às suas casas, Caniçal não esquece a luta épica e corajosa dos antepassados para capturar as baleias, e Câmara de Lobos presta homenagem à tipografia, um sistema de impressão que que tornou possível divulgar o conhecimento, lançando luz sobre as trevas da ignorância. 

 E a magia dos livros leva-me até Vilar de Mouros. O que poderei dizer sobre este lugar que o meu companheiro de aventuras literárias, Manuel Vázquez de la Cruz, O Ferruxo, ainda não tenha dito? Sempre que pronuncia o seu nome, acrescenta: É a aldeia mais bonita de Portugal. Pois não serei eu a dizer o contrário. 

 Agradeço a presença de todos vós e a Basilio Barrocas por ter organizado este evento que me permite expressar a minha gratidão a Portugal, pelas tantas e tão belas experiências vividas neste país, e peço desculpa pelo português desajeitado com que tentei expressar-me. Espero que me perdoem e, agora vou continuar a minha intervenção em galego.

Ningún comentario:

Publicar un comentario