26 de abr. de 2017

VILA NOVA DE CERVEIRA

PATRIMONIO

Novos apontamentos sobre a Bateria de Lovelhe


ENCONTROS   POLIORCETICOS

 A bateria propriamente dita ergue a sua  figura abase de alvenaria xisto-grauváquica, com disposição ataludada de peças alternadas quanto a tamanho, sem seguimento de maior a menor, ou seja, sem tamanho decrescente conforme atingimos o pico da obra. Abundante em rachas ou rípios, oferece um aspeto uniforme e coeso quanto a sombras inducidas nos paramentos, dotando-lhe de unicidade nas texturas. No entanto, convinha sublinhar que existem “mãos” ou leves aplicações a alterarem o forro original do muro baterístico - reformas nos anos 70 e 80 do século passado -. Forro que também deve a sua uniformidade à capa de fentelha que barra todo o perímetro da obra. 

 
 Há uma constante presença do elemento grauváquico, como sedimento paleozóico de tipo arenisco, grosseiro e fortemente consolidado, de cor cinzenta escura que, a grandes traços, recolhe uma composição de quartzo, feldespato, mica e clorita, bem como fragmentos de xistos argilosos e silícicos. No caso de Lovelhe o granito também aparece disposto em muita menor medida, seja no talude, seja já trabalhado em vãos, cordão, matacães, troneiras, paradós falso ou brocal falso da cisterna. 


 Algumas argamassas mortas continuam a ligar peças do mais variado tamanho, oferecendo laminações em vertical e horizontal e não faltando nelas fracturações ou fendas. Igualmente indicar o testemunho de umas escassas unidades estritamente quartzíticas com aparência de autêntico silhar (de até 45 cms. de comprimento). Nos matacans, escondidas entre as mísulas de navio, temos unidades graníticas encaixadas e travadas, provavelmente de recente aplicação. Mais outras aliás no mesmo muro circular, como adições pétreas. 


 As desagregações da pedra, os desprendimentos  são uma realidade. Podemos patentear isto nas duas peças do falso paradós existentes no fundo da cisterna; nos pedaços regulares de parapeito fora da massa edificada circular ou nos vazios que deixa esta pedra no deambular murário. De facto, a patologia mais grave da bateria de Lovelhe, externamente, será esse tremendo buraco que penetra mais de 1 metro no espessor do mesmo muro, visualizando o emplecton interior. Aquí, os problemas juntam-se, dado que a potente raíz de uma invasora forma parte do problema (e até da solução…), de maneira que atúa de  “soutien” de  uma outra  pedra  atizonada ou de juntouro, entranhada em cheio e a formar simbiose, cumplicidade, com a maldita planta.  

(Continuará…)

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