Considerações paisagistas em Oia
ENCONTROS POLIORCÉTICOS / Oia
Quando se lançam eufemismos, quando se anda a fantasiar, quando se utilizam expressões em que se procura atenuar qualquer realidade menos agradável. Ou por alusão, quando não se quer ou não se pode nomear algo explícitamente, ou se opta por evocá-lo indiretamente, nasce a falsidade. Conto da carochinha, artimanha, estratagema, faz-de-conta que abrange coisas muito sérias: turistificação de origem unilateral, gentrificação, urbanização desnecessária, atentado contra a paisagem, atentado contra as preexistências. Obviamente, no que toca à própria Lei de Proteção da Paisagem galega, fica de rastos (quem faz a lei, faz a armadilha). Mosteiro de Oia, aquilo que se quer fazer, é um gritante quadrissílabo (atentado, desrespeito), uma engenhoca urbana que será germe de males maiores no futuro; por não haver necessidade e por criar uma paisagem "nova", palimpsestada e piorada. Este marcante paradoxo urbanístico, por se tratar de construções que se autoexcluem das outras e que, no entanto, tumorizam àquelas mais próximas, não tem escala nem sincretismo nenhum. Garantidamente, não se assenta um corpo dotrinário como o do Convênio Europeu da Paisagem para deparar-nos com uns senhores que pretendem deformar em definitivo Oia.
A evolução lógica das políticas paisagistas consistiria em passar de textos declarativos e voluntaristas para outros plenamente previdentes e garantintas. Posteriormente, refundir-se-ão, equiparar-se-ão tendo como basilar a normativa internacional. Repare-se que nos dois primeiros quartéis do século XX a legislação ambiental e paisagista francesa estipulava rádios de até quinhentos metros em redor dum monumento qualquer. A pertinência duma "Área Non Aedificandi" choca com a natureza privada do cenóbio. Expropiação estatal ganha terreno. Manutenção desse solo natural, dos terrenos circundantes (que também são mosteiro) é questão fulcral para garantir uma Zona de Salvação. Redação do novo PXOM da parte de UTE Urben Consultores S.L. poderá ser uma pedra no sapato, um gesto laberíntico ou "um não se sabe o quê" aquando juntinhos, PSdeG e BNG, abstêm-se. Desde um ponto de vista estritamente patrimonial, atitude nacionalista nada esclarece e segue os passos duma Deputação enfarinhada até o pescoço no projeto "Kaleidos". Reivindicamos um mosteiro não interferido, espacialmente isolado, como território e paisagem cultural. Vigo se faz detestável visto que exporta produtos inaceitáveis para o Baixo Minho. Continuaremos com este dossiê paisagista.


Ningún comentario:
Publicar un comentario